Segunda-feira, 14 de Maio de 2012

Três simples questões

Caros praxistas portuenses,

Depois de mais uma Queima das Fitas, na sua essência, ainda repleta de sorrisos fraternos e sinceros adornados das mais variadas cores, de momentos e pessoas que, mesmo que em pequenos gestos efémeros, inscrevem as linhas do que é a boa praxe, a praxe saudável e, essa sim - porque do foro mais profundo e íntimo de cada pessoa - inatacável, surgem sempre as cada vez mais inevitáveis manchas numa semana que deveria ficar restrita ao que nas primeiras linhas se descreveu...

Eis que, então, se deixam aqui três questões pertinentes:

1) Consideram que não fazer silêncio numa serenata, não saber usar o traje correctamente ou desrespeitar a tradição do uso das insígnias pessoais, não saber definir o que é um caloiro ou um pastrano e inventar novas condições para os mesmos, e toda uma lista extensa de situações que configuram um não Saber Estar em Praxe, é menos importante - passível de ser ignorado até - do que brincadeiras de "jogos" de pseudo-poder entre membros do MCV, cujo último e degradante expoente foi encenado na Monumental Serenata, com a proibição de actuar do Grupo de Fados do Orfeão Universitário do Porto e agressão não provocada a um elemento do mesmo?

2) Consideram que pessoas não matriculadas no Ensino Superior ou pessoas matriculadas ano após ano, sem progressão académica, com o único propósito de manter uma determinada posição hierárquica na praxe, são, de facto, estudantes na verdadeira acepção da palavra como a maioria esmagadora dos estudantes é e foi, ou Veteranos como durante décadas e séculos se foi veterano, devem comandar, mandar e desmandar os destinos da Praxe da nobilíssima Academia do Porto?

3) Se consideram que não, então o que se vai fazer acerca disto?


Por estes lados, já tudo foi dito aqui também. E aqui.
É "chover no molhado", sabe-se, mas há sempre alguma terra que precisa disso mesmo.

Sexta-feira, 4 de Maio de 2012

Queima das Fitas 2012

Finalmente saído o cartaz das actividades tradicionais da semana da Queima das Fitas e, ineditamente, cartazes particulares para algumas dessas actividades, deve-se assinalar como positivo da parte da FAP o update do site da Queima das Fitas do Porto que agora inclui informação mais bem localizada sobre as actividades académicas. Deve ser igualmente louvada a actividade que tem sido levada a cabo, nos últimos dias, via facebook, para a divulgação destas mesmas actividades.





Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Monumental Noite de Fados da FDUP

Às 22h de amanhã, no Salão Nobre da FDUP. Oportunidade também para contribuir para uma nobre causa.


Domingo, 29 de Abril de 2012

Esclarecimento

Dada a celeuma criada com o post que denuncia erros graves ocorridos na praxe da ESEIG, e tendo em conta algumas críticas - umas mais construtivas que outras - dirigidas ao mesmo, acho por bem salientar algumas coisas que tenho dito na secção de comentários.

A praxe da ESEIG não é, para que fique bem claro, a única na Academia do Porto a "expulsar" caloiros ou a fazer julgamentos nos quais os mesmos podem reprovar e cujas "reprovações" dependem de vários critérios, uns mais "palpáveis" como as presenças ao longo do ano em sessões de praxe que podem ser assinadas numa caderneta, e outros mais relativos, como "atitude", "comportamento", etc.

Qualquer Casa cujas praxes requeiram "inscrições" para se ser caloiro, que "chumbe" caloiros ou que "expulse" caloiros está em grave atropelo das normas da Praxe Académica e constitui um mau exemplo do que a mesma pode e deve ser. A ESEIG foi, por isso, dada a mero título de exemplo. Não se pretende aqui crucificar (nem poder para isso tem um mero blog) seja quem for. A crucificar algo é, apenas e somente, os erros que ocorrem.

Qualquer seguidor mais assíduo constatará que já muitas vezes se tem discutido, tanto no Fórum como no site, casos análogos. Aliás, se há coisa que neste site não existe, é protegidos ou alvos. O fim será sempre o mesmo: Tentar, da melhor maneira possível, sensibilizar a comunidade praxística para as práticas correctas. 
E tal tem sido feito, na minha opinião, tanto numa abordagem genérica - sem apontar nomes de Casas - como numa abordagem mais directa. Infelizmente, sempre que se fazem apontamentos de erros concretos como cometidos de uma forma generalizada pela Academia (mesmo que por vezes não o sejam), a norma é  todos "assobiarem para o lado". Acaba por ser, infelizmente, com algum mediatismo, que alguns praxistas (muitas vezes os próprios que incorrem em erro) tomam mais cuidado para não repetir, de forma a não associar o nome da sua Casa a más práticas. É infeliz que assim seja, mas a experiência tem-no demonstrado.

No Fórum, por exemplo, já foi debatido e criticado o facto de outras Casas também fazerem julgamentos em que, supostamente, os caloiros podem "reprovar". No site, por exemplo, também já foram apontadas praxes de Casas que vedaram da cerimónia de imposição de insígnias estudantes que iam cartolar (com as famílias dos respectivos presentes) porque os mesmos não teriam aparecido, depois de caloiros, vezes suficientes nas "sessões" de praxe. Foi igualmente criticada, de forma veemente, a tentativa de separar no cortejo os cartolados "ostracizados" dos "outros" cartolados. Também aqui se escreveu, e de forma bem vincada, sobre um badalado caso em que praxistas foram "expulsos" da praxe por terem participado numa noite de uma discoteca que teria sido declarada como "anti-académica". Também aqui se criticou directamente praxes que tiveram comportamentos inadequados em serenatas. E por aí fora... 
Em todos estes casos, os nomes das Casas das praxes em causa estão lá bem explícitos, os casos bem reportados, os assuntos mais que debatidos.

Fica assim assente que não há aqui, portanto, nenhuma cruzada pessoal ou plano orquestrado contra a ESEIG. Apenas tem sucedido que nos últimos 2 ou 3 anos (não é só de agora) têm chegado mais e-mails e queixas (posteriormente cruzados com praxistas da casa) de alunos afectos à Escola manifestando as suas preocupações e frustrações. Esse sinal é, para mim, um factor de que toda a ESEIG deveria ter orgulho, pelo facto de haver gente interessada em perceber se isto ou aquilo pode acontecer, se X ou Y está certo, pois apenas denota que há vontade de querer fazer as coisas bem e cumprir com a regras da Praxe! Fossem todas as Casas assim, e decerto se assistiria, por toda a Academia, a uma abrupta correcção de erros que teimam em ser repetidos!
A ESEIG é uma Casa que, apesar do seu isolamento geográfico, em 22 anos tem-se sempre apresentado, notavelmente, como um grande pólo dinamizador das tradições académicas tendo esticado as fronteiras da Academia. Pois claro que há trabalho bem feito, pois claro que há gente muito boa, pois claro que há grandes espíritos! E por isso mesmo é que importa "atacar", e rápido, aquilo que não é bem feito. Os erros, se não corrigidos, acabam por se tornar um cancro que corrói tudo de dentro para fora. Há sempre, por parte de todos, a margem para melhorar e corrigir. Só é preciso querer.

Todos os erros têm uma justificação. Uma grande parte das pessoas que tomam parte em "inventonas", não o fazem por mal. Simplesmente são um elo numa cadeia. Foram assim ensinadas, não tiveram acesso a outra informação, a outras experiências e, portanto, estão presas a essa realidade. Algures nos tempos mais recentes, alguém se lembrou de sustentar a Praxe - totalmente à revelia do Código - numa escola de pensamento que postula que a mesma, e aqueles nela, devem ser uma "elite". Uma elite em que o mais "forte" sobrevive e o mais "fraco" deve ser afastado. Montam-se provas e obstáculos para se ir fazendo uma "selecção natural". Depois, porque as elites são infinitas, dentro da "elite", criam-se outras "elites". Assim nasce o sectarismo.

Na presença de um desconhecimento mais ou menos generalizado do que é Praxe e do que é Tradição, esse pensamento, de certa forma, floresceu e foi secando o que outrora foi solo fértil.

Por entre discursos e intervenções mais inflamadas - porque a Praxe também é isto, é despertar paixões - o foco das críticas, que se esperam construtivas, sempre foi o pensamento. Nunca as pessoas e as instituições.

Saudações a todos,

"Só Capas, só Fitas, a Praxe continua!"

Quinta-feira, 26 de Abril de 2012

Mau exemplo da ESEIG

Chegam ao fórum e à caixa de correio do Praxe - Porto diversas dúvidas, comentários e queixas em relação a determinadas ocorrências em praxes académicas. Por norma, uma grande parte delas reflectem erros bastante comuns, como o são os mitos de "só pode trajar quem vai à praxe" e "só pode usar insígnias quem vai à praxe", que revelam toda uma dialética enviezada do que deve ser o fenómeno da praxe académica. Resumidamente, muita gente encara e transmite que a Praxe é, se quisermos, um curso ou uma carreira (militar, por exemplo) onde se tem de cumprir ordens concretas e determinados rácios de frequência para poder usufruir de tudo o que a constitui. Caso contrário, e de forma eminentemente arbitrária e desrespeituosa, quer com o que está codificado, quer com o que era praticado há anos, está-se sujeito a ser "expulso", "banido" da praxe académica.

O problema é conhecido, está mais que diagnosticado e repetidamente aqui abordado e reflectido. 

O último episódio desta série deprimente surge-nos por parte duma mão cheia de gente que, quer por ignorância, quer por profunda idiotice e má formação pessoal, parece apostada em conspurcar, não só o nome da sua Casa, como o nome da Praxe Académica. Decerto que será, obviamente, por ignorância na matéria, uma vez que não parecem haver razões atendíveis para praxistas quererem desrespeitar, conscientemente, os preceitos da praxe.

Eis, então, que chegam relatos de que na ESEIG (Escola Superior de Estudos Industriais e de Gestão) - onde vigora um desses sistemas que fazem da praxe académica uma militância, com regras de frequência bastante concretas e uma preocupação fascizóide de controlar comportamentos individuais - se expulsam caloiros da praxe por razões que, de tão ridículas que são, só podem servir para atestar a imbecilidade profunda de toda a situação.

Nunca é demais ensinar (porque é disso que alguns "praxistas" na ESEIG, aparentemente, precisam) que da praxe se faz parte por inerência, bastando ser estudante do ensino superior para a ela se estar vinculado. Por norma da experiência dos anos, só tem deixado de a ela estar vinculado (e mesmo este ponto pode ser debatido) quem se declara anti-praxe ou quem, por recorrente incumprimento das normas (e estas são as que constam do CÓDIGO DE PRAXE) da mesma, se recusar a aplicação de sanções.
Não se pode, portanto, "expulsar" alguém da praxe como e quando se quer. Essa pessoa, enquanto quiser estar sujeita à praxe académica, assim estará, e nada pode ser feito em contrário!

Não deixa de ser igualmente curioso e francamente triste que se expulsem caloiros, vedando-os (como lhes dizem) do uso do traje, da participação no Cortejo e do normal convívio praxístico com colegas, por minudências ridículas que, se fossem bem analisadas com verdadeiro conhecimento praxístico, em muito pouco ou quase nada atropelam as normas da praxe académica. Mas mesmo que tais minudências perpretadas tenham atropelado as boas normas da praxe, a resposta a tal situação apenas se pode situar na área de uma mobilização e exercício de praxe ou de sanções (rapanço, unhas ou colheradas) e nunca na esfera de expulsões!

Todos cometemos erros mais cedo ou mais tarde, seja em praxe, seja fora dela. E na praxe, tanto cometem os caloiros porque, coitados, vítimas da sua imberbe condição, como os doutores que também, muitas vezes pensando que já percebem da coisa, se desleixam mais facilmente. Ou o que se consideram "sanções" deliberadas entre doutores que são, elas próprias, contra as próprias regras da praxe académica? Não restem dúvidas que esse tipo de deliberações são, nada mais nada menos, do que infracções (e graves) na praxe.

Deixa-se aqui um apelo forte, em nome da boa Praxe, para que este tipo de situações possam ser corrigidas forma correcta e se restitua a legalidade praxística nas coisas. Por norma, ninguém ganha com estes atropelos. Não ganham os visados das perseguições, não ganham os perseguidores, nem ganham os "assistentes" da querela. Apenas se cria um espírito de desconfiança e de medo no seio da praxe académica de uma Casa, que em tudo contradiz o que uma praxe académica deve ser e, pior que isso, legitimam-se ilegalidades que, continuadas, descaracterizam o que quer se faça de Capa e Batina ao ponto de se poder deixar de apelidar tais práticas de "praxe".

Os melhores praxistas, não se duvide, são aqueles que aprendem com os erros. 
Ou o que é, afinal de contas, a experiência?


"Só Capas, só Fitas, a Praxe continua!"

Domingo, 1 de Abril de 2012

Qvid Tunae? A tuna estudantil em Portugal

É com enorme agrado que se anuncia que o livro Qvid Tunae? A tuna estudantil em Portugal, do Eduardo Coelho, Jean Pierre Silva, João Paulo Sousa e Ricardo Tavares já está disponível nas "bancas"!

Para todos aqueles que têm sede de saber mais sobre tradições académicas, para aqueles que primam sempre por uma vontade de enquadrar uma determinada prática no seu contexto tradicional como forma de a promover de sentido de ser, são este tipo de trabalhos de investigação morosa e cuidada que saciam essas mesmas vontades.

Naquela inexplicável condição de incessante tentativa de vislumbre do passado - mas na forma mais profunda possível, que é o tentar compreendê-lo - para que o presente não nos pareça estranho e desenraizado, e o futuro se nos afigure, se possível, mais certo e estável, estes autores presenteiam-nos com um contributo que, estou certo, ficará como referência para gerações, actuais e futuras, reféns voluntárias dessa tal condição.

Segue em baixo o link de encomenda para quem desejar comprar o livro.






Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Praxe no cinema e nos media

O sítio online do jornal Público destacava a semana passada uma peça sobre uma recente curta-metragem sobre Praxe da autoria de Bruno Moraes Cabral.

Tendo sido, posteriormente, contactado para contribuir com algumas impressões que, fiz questão de salientar, seriam sempre a título pessoal, aproveitei para destacar que:

1) Não tendo ainda podido ver o documentário em causa, mas estando ao corrente do mesmo, pelas imagens que tive oportunidade de ver e pelas declarações do realizador, parece-me desde logo um documentário que se baseia numa amostra "enviezada", isto porque:

a) se dirige principalmente a academias que de tradição académica muito pouco têm, se é que se pode afirmar mesmo que o que têm é Praxe Académica. É o caso de Lisboa, Évora e afins, onde o fenómeno das praxes é algo recente e que se baseia em "caçoadas" a caloiros. Coisa que, sendo parte da Praxe Académica, não a define nem a resume. Desde logo, ao focar-se em Academias bastante desenraizadas dum propósito tradicional, não contribui para um espelho fiel do que são as tradições académicas e muito menos para uma verdadeira compreensão do que é a verdadeira Praxe Académica. Se o objectivo do documentário era esse, o de tentar compreender a Praxe, então, para qualquer pessoa que tenha perdido tempo a estudá-la, é óbvio que só existem duas academias que permitem um estudo verdadeiramente abrangente. Essas são, em primeiro lugar, Coimbra e, pelas suas semelhanças e antiguidade, o Porto, ambas com tradições académicas praticamente ininterruptas há mais de um século.

b) o autor, de todas as actividades e dinâmicas que se englobam na Praxe Académica, decide apenas focar-se, pelo que é dado a parecer, nas "caçoadas" aos caloiros, nas recepções para eles preparadas pelos mais velhos. Ora, mais uma vez, ao focar-se apenas nessa prática e ao ignorar dezenas de outras, está a enviezar a sua amostra. Porque não uma abordagem aos cortejos de queima das fitas? Ao cortejos de Latadas? A imposições de insígnias? A serenatas? Tudo isto faz parte do universo das tradições académicas, mas parece que se insiste em ignorá-lo. Infelizmente.

c) pelas próprias declarações do realizador acerca do que o mesmo entende sobre o que é a Praxe Académica, transparece um grande desconhecimento académico sobre a matéria, ficando a sensação de que apenas apoia as suas opiniões naquilo que foi filmar e não tanto em trabalho de biblioteca. Fica igualmente a sensação de que o realizador já terá partido para o documentário com ideias pré-concebidas sobre a matéria e, desde logo, decidido a mostrar apenas um vértice das tradições académicas entre muitos outros, de forma a assim poder comprovar essas ideias.

2) Tendo em conta tudo isto, e não ignorando que existem abusos feitos em nome da Praxe e que nem toda a gente é, longe disso, bem formada, importa sempre reafirmar que a verdadeira Praxe Académica dos nossos tempos não se compadece com humilhações de qualquer tipo. No entanto, e repetindo, não se pode ignorar que elas ocorrem e que devem ser lidadas de forma implacável. Algo que nem sempre, infelizmente, acontece. Existe muita má informação a circular sobre o que é ou deve ser a Praxe Académica, reduzindo-a ao mero acto de praxar, e essa má informação é muitas vezes colhida e interiorizada por estudantes, supostamente, praxistas. De facto, basta a Praxe Académica ser uma tradição praticada por pessoas para estar, desde logo, sujeita aos erros e defeitos que cada indivíduo tenha. Se alguém é prepotente e vil, esses traços estarão presentes em tudo o que faz e isso arrastar-se-á ao seu trato com caloiros. Na vida encontramos pessoas bem e mal formadas, respeito e humilhações. Tal como em qualquer outra vertente, a dinâmica da Praxe Académica em nada difere nesse aspecto. Sobrará sempre a nossa liberdade de fazermos o que bem entendermos e, em casos de Praxe, esperar-se que se perceba que os abusos que ocorrem nunca são feitos em nome da Praxe e que, nada mais sendo do que uma deturpação - seja por parte de um ou muitos - do que a mesma pode e deve ser, essa deturpação nunca deverá ser apelidada de "Praxe".

De tudo o que partilhei com a jornalista, aproveitaram-se apenas umas frases breves e, numa delas, a peça final descontextualiza, de certa forma, o que disse.
De facto, tendo concordado que muitas das passagens do clip sobre a curta-metragem, no que concerne a dinâmica entre doutores e caloiros, reflectem algumas coisas que se passam na Academia do Porto, mas que variam imenso de Casa para Casa, não quis de qualquer forma deixar implícito de que a Praxe na Academia do Porto seja basicamente aquilo, porque nem eu o disse, nem ela o é.
Ou seja, se em alguns casos se "obrigam" caloiros a olhar para o chão ou, noutros, a rastejar enquanto lhes fazem judiarias, em muitos outros casos (até porque a Academia é enorme) já não será assim, ou em parte, ou de todo. Mais, disse igualmente que tudo isto, para além de variar de faculdade para faculdade, varia igualmente de curso para curso, de pessoa para pessoa e, portanto, de certa forma, de ano para ano (quantos de nós já ouviu dizer que "no nosso ano a recepção ao caloiro foi bem melhor/pior"?). Ficou-me a sensação de que não fui totalmente bem interpretado na resposta, que foi mais um "sim, nas recepções, que são apenas uma parte da dinâmica entre caloiros e doutores, acontece também na Academia do Porto muito do que se vê neste clip, mas depende da Casa e das pessoas". Fica a adenda.

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Manus manum lavat

Há erros que teimam em ser repetidos e há quem mais teime em não os corrigir.

O caso absurdo e desnecessário do banimento, por parte do Magnum caramelo, das tunas da Portucalense de festivais de tunas e ameaça de iguais repercussões para qualquer tuna que as convidasse apenas veio contribuir para um ambiente fétido na Academia. Mais um bela "medalha" de estrume para aqueles que pouco ou nada percebem sobre a vigência de um Magnum e aqueles que, quais carneiros ordenados e desmiolados, os seguem cegamente e não questionam.

De seguida, a recorrente constatação de que há "praxistas" que entendem que rebaixamentos sexuais e considerações (mentiras e piadas sexuais de mau gosto) pessoais sobre caloiros são forma de fazer praxe. Pior que esses, que são ovelhas tresmalhadas, é a maior parte da turba que os rodeia e que, no fundo, apesar de desaprovar da lábia reles e baixa, não tem coragem de algo dizer ou fazer por medo de perder "privilégios" (o que quer que isso seja).
São casos que vão sendo recorrentes de ano a ano em faculdades mais isoladas. Já aconteceu na ESAD, e agora o último caso conhecido surge na ESAP.
Caríssimos, isso não é praxe nem nunca será. Boa praxe, isso sim, seria tratar do cabelo e das unhas desse tipo de gente.
Pior que todos esse são, claro está, os Conselhos de Veteranos respectivos, que mais não devem ser do que uma fila de estátuas de lago de jardim onde se lhes mija a água impunemente e a bel-prazer.

Outras teimosias recorrentes são os famosos julgamentos de caloiros. Não bastava aos caloiros serem caloiros, que ainda têm de ser julgados como se de doutores se tratassem.
E que decidem estes julgamentos? Ora bem, algumas pérolas fantásticas. Decidem, entre outras coisas, se os caloiros vão poder passar na Tribuna do Cortejo na Queima, se vão poder trajar (!!!) e ser doutores no ano seguinte!
Julgados deviam ser os que inventaram tais prácticas e aqueles que as continuam a seguir. Este tipo de coisas são famosas nas casas do IPP e em outras que tal. Na UP vai sendo, felizmente, residual. Nas Casas mais antigas e mais tradicionais tal, simplesmente, não se faz. Porque será?

Este tipo de prácticas, mais as teimas de fazer da praxe ao caloiro uma simulação militar assente na ordem e na disciplina com os "exercícios" com dia e hora marcada são o mais claro sinal de que as coisas cada vez mais estão entregues a gente sem jeito para a "praxe".
A gente incapaz de mobilizar, cativar e praxar caloiros de uma forma natural vê-se obrigada a refugiar nestes altos aparatos rituais e em criar medos infundados.

"Se não vierem, acontece isto!"; "Se não fizerem isto, acontece aquilo!"
Largassem eles estes subterfúgios e a verdade dura seria a de que ninguém, ou quase ninguém, de livre vontade apareceria para os ouvir "comandar" matrizes. Realmente, com tanta gente trajada com vocação militar é de admirar porque razão não quiseram ingressar no ensino militar.

São, nada mais nada menos, do que os coveiros da praxe espontânea e natural. Alheios a tradição e legalidade, eternos indigentes de espírito.

E o que se faz sobre isto?
Uma mão lava a outra.

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Misterium

Dado que tantas vezes se ouve e se lê que o MCV e os "praxistas de verdade" cá estão para defender a verdadeira tradição da Praxe, que a sua palavra e vontade é Lei e que é impossível à Praxe Académica viver sem esta ordem das coisas, o Praxe - Porto considera imperativo deixar algumas questões à consideração da Academia:

  1. Onde esteve o MCV e os "praxistas de verdade" sempre que se ouviu falar de "praxes" de cariz sexual e humilhante para as raparigas? E o que fizeram eles acerca disso?
  2. Onde esteve o MCV e os "praxistas de verdade" quando se ouviu falar de "praxes" que vedaram doutores de imposições de insígnias quando estes não satisfizeram uma determinada "frequência"? E o que fizeram eles acerca disso?
  3. Onde esteve o MCV e os "praxistas de verdade" quando se ouviu falar de "praxes" que expulsaram praxistas por terem ido a uma discoteca supostamente "proibida"? E o que fizeram eles acerca disso?
  4. Onde está o MCV e os "praxistas de verdade" sempre que se ouve falar de "praxes" que institucionalizam um "livro de presenças" e que barram participação de caloiros em cortejos quando estes não satisfizeram uma determinada "frequência"? E o que fizeram eles acerca disso?
  5. Onde está o MCV e os "praxistas de verdade" de há cinco anos para cá, desde que foi homologado o processo de Bolonha e se assiste, por toda a Academia, um total ragabofe no que diz respeito a imposição de insígnias? E o que fazem eles acerca disso?
  6. Onde está o MCV e os "praxistas de verdade" todos os anos, em todas as serenatas, quando não se respeita, ano após anos, o silêncio que estas, de praxe (verdadeira praxe), impõem? E o que fazem eles acerca disso?
Não serão todas estas situações que verdadeiramente põem em causa a tradição, dignas da atenção e acção do MCV e dos "praxistas de verdade"?
Ou o MCV só se interessa com aquilo que não é de praxe e os "praxistas de verdade" não servem para mais nada a não ser para "cães de fila"?

Mistério.

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Finis Temporis

Ao que parece, o Magnum Consillium Veteranorum retirou o assento no organismo à Universidade Portucalense e, para além disso, probiu (sim, "proibiu") a participação das tunas da mesma Universidade em festivais e eventos académicos do género.

Se sobre a primeira decisão ninguém pode falar em profundidade do assunto dado o desconhecimento das causas por detrás da mesma, já sobre a segunda muita tinta tem corrido.

Muito poderia dizer sobre este assunto, no mesmo estilo e opinião sobre casos que ocorreram nestes últimos anos, como este ou este. No entanto, já se fez uma cobertura de opinião bastante extensiva sobre o acontecimento em blogs de reputada opinião, como o Notas & Melodias aqui (entretanto com o blog sobre ataque de pessoas que o denunciaram ao Google como detentor de conteúdo impróprio mas que pode ser acedido normalmente ignorando os avisos), ou o As minhas Aventuras na Tunolândia aqui e, portanto, não resta muito mais ao Praxe - Porto para acrescentar, mas apenas reforçar e reiterar, por um lado, a perplexidade pela situação e o profundo desprezo e revolta, por outro, pela forma como estas decisões são tomadas sem qualquer fundamento e em total desrespeito do bom senso e desconhecimento gritante do que é tradicional.

Que isto fique claro:

A Praxe é de estudantes, para estudantes. A Tuna é de estudantes, para estudantes.
Um estudante é aquele que estuda, durante um curto tempo da sua vida, para tirar um curso e que encontra na Praxe Académica ou nas Tunas uma vivência tradicional ímpar.
Um estudante não é aquele que trabalha e não estuda, mas que está matriculado não para tirar o curso, mas para manter uma posição qualquer de antiguidade na hierarquia praxística. Um estudante não é aquele que está para cima dos seus 35 anos, geralmente nos 50 e que se agarra teimosamente, décadas, a uma pseudo-glória alimentada por um pseudo-poder. Um estudante não é alguém que está menos longe da senilidade do que da puberdade.
Essas pessoas, respeito salvaguardado, deveriam dedicar-se às suas famílias, aos seus empregos e, de uma vez por todas, deixar aos verdadeiros estudantes aquilo que lhes pertence.
Se não o fizerem, apenas estarão a contribuir para a destruição daquilo que dizem amar e respeitar.

Tudo tem o seu tempo.
O tempo desses senhores acabou.

Quarta-feira, 14 de Setembro de 2011

Mensagem 2011/2012

Como vem sendo tradição, no início de mais um ano lectivo cá está o Praxe - Porto uma vez mais com os votos e desejos do costume.

Antes de mais, deixar uma palavra de sincero e profundo agradecimento a todos aqueles que têm feito do Praxe - Porto um projecto de sucesso.
Efectivamente, começando pela generosidade dos do costume que pululam pelo fórum sempre disponíveis a acrescentar algo ao debate ou a alisar dúvidas rugosas de outros, e acabando naqueles que vêm cá parar por acidente, mas que ficam, lêem e divulgam aos amigos, todos vós têm sido os principais responsáveis pelo sucesso do Praxe - Porto.
O Praxe - Porto é, actualmente, o primeiro site sobre praxe e tradições académicas a surgir no Google. Tal revela precisamente a assiduidade com que é visitado por todos vós.
Apesar da disponibilidade e a assiduidade de escrita não ser a de outros tempos, pode-se garantir que o projecto continuará sendo aquilo que o define: um site sobre praxe, de estudantes para estudantes.
Dito isto, sigam os votos para este ano.

Começando, como sempre pelos caloiros, apraz dizer-vos que se aqui chegaram e estão a ler esta mensagem, tal denota já uma coisa importante: são curiosos e têm o mínimo interesse sobre o que quer que seja isto de "Praxe".
Nunca percam essa curiosidade e vontade de aprender, de descobrir, de perceber. Tal permitir-vos-á viver a Praxe - porque ela é para ser vivida principalmente - de uma forma mais apetrechada de conteúdo, que trará mais significado "à coisa". Vivam sempre as actividades de espírito aberto, como qualquer coisa nova requer que seja, mas sempre íntegros e cientes dos vossos limites morais. Ninguém aqui atira areia para os vossos olhos: existem pessoas mal formadas, que de praxe percebem tanto como um trolha de física nuclear, que vos aparecerão pela frente no decorrer do vosso percurso praxístico. É a vida. E a Praxe é como a vida, tem de tudo. Saibam separar o trigo do joio e não tomem o todo apenas por uma parte.
Vivam muito. Berrem muito. Se depois de duas semanas de praxe não estiverem roucos, algo de estranho se passou! ;)

Aos doutores, mensagem curta (até porque já devem conhecer o tom do costume).
Se são semis, lembrem-se do que não gostaram de ver semis fazer-vos quando eram caloiros e tentem fazer melhor. É esse o desafio.
A todos os outros, o desejo é o de boas praxes: originalidade, bom humor, rebeldia. Sejam vocês mesmos e despertem nos outros esse bichinho que é a Praxe Académica.

Sem mais nada a acrescentar, votos de um excelente ano de praxe e, claro, que todos os vossos objectivos se realizem.

Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Queima das Fitas 2011



Mais uma Queima que se aproxima. Mais um turbilhão de emoções salpicadas de todas as cores da Academia.

Como sempre, os apelos do Praxe - Porto, são os do costume:

Silêncio na serenata, paz no cortejo, praxes originais e saudáveis, respeito, bom senso, humor, rebeldia. Tudo na perspectiva de se criarem momentos inesquecíveis para os participantes. São estes momentos que marcam as impressões das pessoas e, como tal, a responsabilidade é de todos os praxistas para que a imagem que fique da Tradição Académica seja uma imagem positiva e eterna.

É para isso mesmo que a Queima serve.

Cumpram-se os preceitos tradicionais da praxe.

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Inquérito a caloiros utilizadores do Praxe - Porto

Como deverão ter reparado, esteve disponível desde o início do ano lectivo um inquérito pequeno dirigido a caloiros sobre a impressão destes com a sua respectiva Praxe.

Cento e vinte e oito caloiros responderam ao inquérito e este é o resultado:


Os resultados são francamente positivos. As apreciações de "Muito boas" e "Boas" impressões com os primeiros contactos com a Praxe totalizam 63% dos votos. Penso que isto reflecte, de uma maneira geral, as praxes aos caloiros pela Academia. Uma grande parte das Casas sabem receber os caloiros duma forma mais tranquila, relaxada e motivante. É motivo de orgulho para Academia e há que manter esse parâmetro.


20% dos inquiridos têm uma opinião mista acerca da questão e 16% avaliam as suas primeiras impressões como "más" ou "muito más". São valores que, valendo o que valem, são uma chamada de atenção para a quantidade de caloiros que se vêm desiludidos nas suas expectativas e que perdem a vontade de participar nas lides tradicionais.


Este inquérito, não sendo de forma alguma uma análise rigorosa, até pelo universo que representa, serve para retirar conclusões relativamente a caloiros que procuram a Praxe na internet, que se tentam informar e melhor instruir, que se vêm arrastados pela curiosidade do fenómeno novo: e daí terem desembocado no Praxe - Porto.


Neste aspecto, penso, os resultados constituem uma informação interessante.


Deve-nos entristecer a todos que 16% de caloiros que, ao que tudo indica, nutrem interesse pela Praxe Académica (só por isso deram com o Praxe - Porto) se vejam desiludidos com a mesma visto terem sido confrontados com más prácticas. É algo que serve para reflectir na importância da informação e do debate de algumas questões praxísticas.


Porque a Praxe também se debate. A Praxe também se discute.


Esse é, pelo menos, um apanágio que o Praxe - Porto se tem esforçado por manter.


Saudações Académicas,


O Administrador


"Só capas, só Fitas, a Praxe continua!"

Nova imagem

O Praxe - Porto encontra-se com imagem renovada.

Espera-se que o novo "look" seja mais atractivo e que traga ainda mais gente a estas bandas.

Mais de 50.000 visitas em 1 ano é um valor que acresce ao Praxe - Porto ainda maior responsabilidade na manutenção dos parâmetros que tem tentado, sempre, imprimir.

Aquando do seu começo, parecia um tiro no escuro, condenado ao uso residual, mas hoje, face a estes números, parece ser um projecto com pernas para andar e já com uma boa base de sustentação.

Visitem, participem e recomendem!

Saudações Académicas

O Administrador