18 de maio de 2017

Concerto Promenade 2017


por: autor anónimo 
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Concerto Promenade - evento cultural por excelência, onde encontramos grandes mostras de academismo e de qualidade musical… ou então não, pelo menos na edição de 2017.

Sim, é certo, esta atividade não é do gosto da totalidade dos estudantes – mas também não é obrigatória. Ou será?

Pouco antes das 00.30h, durante a atuação de uma solista neste concerto, um grupo de largas dezenas de estudantes, na sua esmagadora maioria de Engenharia e um grupo considerável de Letras – os restantes, se os houve, não pude identificar -abandonaram o Coliseu do Porto. Sim, DURANTE a atuação de uma solista, que foi prontamente interrompida pelo maestro Ferreira Lobo, que demonstrou o seu desagrado com a situação que, além de barulhenta, só pode ser considerada uma afronta a tudo aquilo que ali se pretendia transmitir e exaltar.

As motivações deste ato não conheço na totalidade – se desentendimentos logísticos entre a FAP e o MCV, se desagrado em relação à atuação que lhes era apresentada, se ânsia generalizada de passar da Queima ao queimódromo… ou talvez uma combinação destas e mais algumas?

A verdade, contudo, é esta: ainda que na sua liberdade de entrar e sair, tendo comprado bilhete e de acordo com as regras do Coliseu, qualquer que tenha sido a razão para uma parte considerável do público ter abandonado os seus lugares tão abruptamente e em massa, a forma como tal se processou constituiu um atropelo gigantesco ao intuito deste evento - a união da Academia do Porto, a partilha e divulgação da música erudita, a manutenção das atividades tradicionais da Queima das Fitas, e, sobretudo, um espelhar dos valores que deveriam reger a existência académica universitária – a cultura, o civismo, o respeito pela arte e pelos outros, ser mais e melhor. Esta atitude não demonstrou mais do que carneiragem, falta de civismo, desrespeito completo pela produção e performance artística dos colegas estudantes – que é deles este Concerto Promenade - bem como pelo restante público.

Ordem de “superiores”, dispensa generalizada, simples desagrado, seja qual for a motivação, não houve muito quem tivesse o bom senso de, talvez, aguardar pelo fim da atuação que decorria ou, melhor ainda, já que era para sair em massa, aproveitar o intervalo. Os que ficaram aplaudiram em concordância a censura feita pelo maestro e escutaram até ao fim este concerto. Deu-se por encerrada a atividade, com os representantes da Comissão Organizativa (Medicina, que deu o exemplo do início ao fim da mesma) e do MCV – ambos condenaram a atitude e a falta de valores exibida.


Sim, houve muito que apontar a este Concerto Promenade: a duração, certamente desadequada especialmente tendo em conta o número de solistas e a (discutível) dispensabilidade de certos números musicais face ao tema apresentado; a não abertura de áreas inteiras do Coliseu, reduzindo o número de lugares de boa visibilidade; alguns aspetos técnicos, inclusive, com microfones e afins. 

Mas haverá muito mais que apontar a este público que a ele compareceu; foi com a estupefação que a já pouca ingenuidade me permite que encarei esta debandada. São estes os estudantes universitários que temos, os “praxistas” que temos, os futuros senhores e senhoras da sociedade. O presente está maravilhosamente bem entregue – o futuro, bem, é melhor nem pensar nele.
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