1 de maio de 2008

Praxe e... discotecas?

Saudações Académicas!

A quem anda na FEUP ou a quem lá passou e se deparou com os Decretus que lá estão afixados, em que estão enumerados diversos nomes acerca de pessoas que doravante são consideradas "persona non grata" e, portanto, excluídas das actividades de Praxe da FEUP, hoje faço um comentário acerca dessa situação.
Muitos não saberão sequer o que se passou, outros saberão e concordarão, outros não concordarão. Cada um sabe de si. Parece-me é ser apropriado uma revisão dos acontecimentos.

Muito bem, há cerca de um ano atrás, por altura da Semana de Engenharia (festas académicas da FEUP), uma das noites estava destinada a realizar-se na discoteca "Chic".
Ao que parece, o Conselho de Veteranos da FEUP transmitiu a informação de que os praxistas da FEUP estariam proibidos de ir nessa dita noite à discoteca Chic.
E porquê? Porque, ao que parece, um dos gerentes do Chic era Veterano da FEP e teriam havido quezílias entre Veterano(s) da FEUP e esse senhor. Logo, o Conselho deliberou que nenhum praxista da FEUP iria ao Chic e logo nesses dias foi-se passando a decisão, tendo-se procedido inclusivamente, durante as praxes, ao corte de milhentas pulseiras que caloiros tinham para essa noite, num acto que mais parecia Pidesco.

O que aconteceu? Uns por falta de informação, outros por convicção de que a Praxe (e muito menos a má praxe) não condiciona a vida privada extra praxística, imensos praxistas compareceram nessa noite no Chic para se divertirem normalmente numa igualmente normal noite.
Uns porque simplesmente sempre foram desligados da praxe e não queriam saber de ordens, outros, verdadeiros praxistas, unidos na convicção de que o Conselho não tinha o direito de limitar a liberdade do que as pessoas fariam ou não numa situação em que nem sequer trajadas estariam.

Digo já que concordo plenamente com esses. Proibir praxistas de ir ao Chic é limitar a liberdade individual de cada um na sua vida pessoal. Daqui a pouco proibia-se um praxista de passar na Via Verde apenas porque alguém tinha um problema com um homem da Brisa... Enfim. Uma situação lamentável, evitável numa Praxe Académica do séc. XXI, que não foi devidamente ponderada e que levanta uma série de problemáticas futuras.

Mas bem, não ficou por aqui. Dada a elevada afluência de praxistas nessa noite, o Conselho nos dias seguintes põe as mãos à obra e faz uma convocatória a todos os praxistas que foram ao Chic.
Reunidos todos, fala o Dux-Facultis, num tom calmo e apaziguador (uma vez que a semana tinha sido de grande tensão), relembrando as qualidades que se querem num bom praxista, numa reprovação do sucedido. É entretanto interrompido por um Veterano que, de discurso inflamado e incendiário, relembra por sua vez e por suas palavras, as qualidades e os valores que a Praxe incute: a humildade, a fraternidade, o respeito! Palavras muito bonitas, mas que perderam todo o significado com o que ocorreu de seguida.

Depois do discurso deste Veterano, um membro da audiência (um dos praxistas que foram ao chic) pede a palavra e esta é-lhe cedida.
O praxista diz algo do género:
- "Quer dizer, então, eu que tenho 5 matriculas e uma passagem sem máculas pela praxe, quer dizer que apenas por ter ido ao chic, passo a ser pessoa não grata?"
Uma frase um pouco infeliz, na medida em que se tem 5 matriculas ou não, pouco ou nada interessa naquele caso, (até porque na plateia haviam mais matriculas) mas ressalve-se que falou de modo educado e respeitador num tom meramente interrogativo.
O Veterano responde-lhe, condenando-o juntamente com todos os outros praxistas de falta de respeito para com a instituição e para com a praxe, que as 5 matriculas dele não valiam nada perante as matriculas dele (do Veterano), etc...

Perante o tom de tal modo inflamado e parco em maneiras, "respeito" e "humildade" do Veterano, esse praxista de 5 matriculas esboçou um sorriso e um leve encolher de ombros.
O Veterano perde a cabeça e diz algo do género:

- "Tás-te a rir? Ora volta-te a rir caral$#! Vou aí em baixo e parto-te boca! Pensas que estou a brincar? Então ri-te outra vez a ver se não vou aí em baixo e te parto o focinho!" (as palavras podem não ter sido exactamente estas, mas muito parecidas, e o tom foi exactamente o de uma ameaça de violência física).

Faz-se silêncio. O praxista olha para o chão, e o Veterano prosseguiu dizendo com o mesmo tom que todos estavam dispensados e eram pessoas não gratas à Praxe, que apenas os semi-putos poderiam ficar se quisessem, pois provavelmente teriam sido influenciados ou não sabiam bem o que faziam... (coisa mais disparatada e sem nexo). Uns Semis saíram, muitos ficaram.
Nisto os praxistas voltaram costas e retiraram-se.

Nos dias seguintes foram afixadas "Informatis" com a lista de pessoas doravante consideradas "não gratas" e proibidas de frequentar actividades da Praxe de Engenharia e Grupos Académicos da mesma Faculdade.

As coisas ficaram assim, Faculdade dividida, muitos deixaram de aparecer às actividades organizadas pela "Praxe", devido à "expulsão" ou meramente por solidariedade para com os "praxistas do chic", outros passaram a aparecer muito raramente, enfim... Um ambiente muito mau.

Na Serenata da Queima, tudo pacífico, nenhuns problemas... Muitos "praxistas do chic" lá presentes, ordeiros, assistiram à serenata e ninguém levantou problemas, e ainda bem, pois estavam ali de pleno direito.
Em consequência das Informatis afixadas, o Director da Faculdade recusa-se a ceder instalações para a cerimónia de Imposição de Insígnias, uma vez que tal atitude (proibir praxistas de participar naquela cerimónia) atentava contra os princípios da própria FEUP.
Fez-se a Imposição no pavilhão do IPP com um enorme poster a dizer IPP atrás das cartolas cor de tijolo, imagem bela sem dúvida nenhuma. Já para não referir que se estragou o momento único de muitos finalistas, que foram excluídos da cerimónia.

Mas os maiores problemas e o real degredo surgiu no Cortejo.

Numa clara provocação, o Conselho de Veteranos fez T-Shirts brancas para os caloiros, com um desenho provocatório de um homem a levar com uma cadeira na cabeça e com a frase "Habemmus Pena!", numa clara referência ao afastamento dos "praxistas do chic".
Mas não se ficou por aqui. Além das lindas t-Shirts brancas a mancharem o "tijolo" de Engenharia, os caloiros eram incitados a lançar cânticos de provocação com o slogan da t-shirt... Ao mesmo tempo em que alguns cartolados que tinham ido ao chic eram separados dos restantes cartolados por um cordão de caloiros... Uma situação degradante, no mínimo. Acho que estragar o último cortejo a um estudante por uma questão como esta só revela falta de maturidade, de sensibilidade e de respeito. É estragar o sonho do estudante, o momento culminante da sua vivência académica. Enfim, sem palavras.

Ora bem, nisto, em alguns diversos pontos do cortejo da FEUP (uma vez que os "praxistas do chic" estavam dispersos e não organizados) começam a surgir respostas a estas provocações. Surgem picardias, quase se chega a vias de facto em algumas situações, mas lá se retoma o cortejo e passa-se mesmo a tribuna... Com os cartolados afastados a passarem primeiro, e depois os outros (que estavam dentro do cordão de caloiros) que, em solidariedade, fizeram apenas uns gestos simbólicos, em nada eufóricos (como de costume), e passaram rapidamente a tribuna.
O cortejo de Engenharia mais triste de sempre. Faculdade dividida, ânimos exaltados, etc... E tudo por uma teimosia sem explicação que poderia ter sido resolvida de maneira bem mais conveniente, e não com tamanha falta de tacto e de sensibilidade.

Hoje, quase um ano depois, surge o assunto de novo, com o Conselho a recusar-se a esquecer, com afixação desta vez de Decretus a reiterar o que tinha sido informado anteriormente.

Próxima Queima, não se augura nada mais nada menos do que o repetir de mais momentos degradantes para a imagem da FEUP.
Será passada uma imagem de desunião, que é a coisa mais triste que se pode mostrar numa Imposição de Insígnias e num Cortejo Académico.


"Só capas, só fitas, a praxe continua."

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