12 de maio de 2008

Uma semana de Queima

No final de mais uma semana de Queima das Fitas, tendo participado em alguns eventos tradicionais, penso ter chegado a altura de fazer um saldo.
Não estive em todos os eventos tradicionais, infelizmente, devido a ter outras responsabilidades este ano.

Enfim, no entanto estive presente (como não poderia deixar de ser) nos mais importantes: a Monumental Serenata, a Imposição de Insígnias e o Cortejo. E sobre esses farei uns comentários que, espero, interessem aos leitores.

Sobre a Monumental Serenata, os habituais reparos, as críticas habituais... Praxistas (alguns de Colher) em total desrespeito pela Praxe Académica, falando a bom som entre si, por entre risadas, conspurcando o nome da Praxe Académica e os belos sons das guitarras e dos fadistas... Enfim, sem vergonha nenhuma afirmo: é deplorável.
Mais um episódio triste da Serenata aqui partilho: entre conversa (durante a serenata também) entre dois Praxistas, eis que lhes ouço do diálogo:

- o resto do curso?
- pah, tão a ouvir a veteranada...
- discurso agora?
- acho que sim, deu-lhes para aquilo. Ainda bem que não podiamos ir ao jantar.

Bem, as palavras, como deverão imaginar, poderão não ter sido estas exactamente, mas o conteúdo está intacto.
Depreende-se portanto, que durante a Monumental Serenata, algo mais importante decorria para um qualquer curso (que não percebi qual era): um discurso dos Veteranos! Já grave é que os praxistas não se saibam comportar na Serenata (nem falei das imensas capas por traçar que por lá passavam, ou melhor, passeavam), quanto mais agora temos Veteranos que não sabem distinguir o que é realmente importante e imperativo do que é plenamente secundário (e que certamente poderia ser tratado depois) ao evento em curso.
Enfim, nota negativa para estas ocorrências.

Acerca da Imposição de Insígnias, tenho a dizer que este ano, por dever a um familiar que ia ser cartolado, estive na Faculdade de Letras na sua cerimónia de Imposição de Insígnias.
Ora bem, algo fantástico se passou lá. Mais uma vez a constante confusão de conceitos, e uma apropriação fanatizada de cerimónias que devem ser abertas por igual a todos os praxistas, independentemente de alguns terem mais presenças e disponibilidade na e para a Praxe.
Eis que, uma Comissão de Praxe de um curso de Letras, achou por bem humilhar, maltratar, desrespeitar os seus finalistas não lhes concedendo a honra de terem uma condigna imposição. Finalistas que foram caloiros da Casa, foram à Praxe, passaram Tribuna, estiveram em todas as serenatas, e cujo único delito (?) foi não serem dos que estão sempre presentes.
Pois bem, ao que parece a Comissão de Praxe ignora e desrespeita as opções e disponibilidades de cada um, e, mais grave que isso, decide que essas pessoas não terão cerimónia condigna.
Isto tudo com completa surpresa dos finalistas e dos seus familiares. Os visados, obviamente, ao não serem chamados (depois de lhes terem pedido os nomes para a lista, nome das pessoas que lhes iam impôr a cartola, etc) saem da sala em conjunto e fizeram a Imposição, cumprindo as básicas normas da Praxe, noutra sala.

Reprovo com veemência este tipo de actos, é uma completa falta de respeito, de canalhiçe, estragar um dos últimos momentos dos praxistas. Praxistas esses que sempre cumpriram a Praxe, nunca se declararam contra esta, sendo seu único delito a insatisfatória comparência.
Realmente fica provado que Comissões dessas são nada mais nada menos que um bando de putos (não no sentido hierárquico) que não têm nada que fazer na vida, e adoptam uma visão completamente fanatizada de uma coisa que, na sua essência deveria ser bela, uma comunhão que se pautasse pela integridade, humildade e respeito. Os finalistas sempre os respeitaram, foram, em troca, desrespeitados e humilhados.
Que essa Comissão nunca se arrependa da "lista negra" que fez, passando por sua vez, a estar numa futura "lista negra" (no que toca a oportunidades na vida, emprego, etc) de pessoas que humilharam.

O leitor neste momento decerto pensará que só tenho críticas a fazer. Infelizmente, este ano foi prolífero em situações deste tipo. Pois, ainda não acabou...

Seguindo para o Cortejo, fora a folia e o espírito saudável habitual por aquelas bandas... Tenho (infelizmente) de referir dois aspectos muito negativos ocorridos em Casas mui nobres: Engenharia e Letras.

De Engenharia, o problema ocorrido encaixa no post "Praxe e... discotecas?", enquanto que no de Letras, o problema veio por directa consequência do que atrás foi relatado. Nomeadamente do ocorrido na Imposição de Insígnias.

Pois bem, Engenharia primeiro (salvaguarde-se a hierarquia!).

Eis que este ano, após novo fecho de portas da FEUP para a Imposição de Insígnias, uma vez que foi reiterado pelo Conselho de Veteranos que seria vedada a entrada aos praxistas que foram ao Chic (para o leitor desconhecedor realmente a frase deve parecer ridícula, e, acredite, a situação é mesmo) e portanto o Conselho Directivo decidiu proibir lá a cerimónia (pelo segundo ano consecutivo) uma vez que não poderia garantir a segurança, ocorreu novo episódio degradante no Cortejo entre Engenharia.

Vimos duas Engenharias:
A da liberdade e a da repressão.
A da tolerância e a do fanatismo.
A do respeito e a da agressão.
A da fraternidade e a do elitismo.
E esta separação foi literal. Pois existiram de facto dois cortejos, pois a dos visados do Chic mais simpatizantes e novos aderentes, decidiu (organizando-se) separar do resto do cortejo de engenharia em que, novamente os caloiros envergavam t-shirts provocadoras.
Desta vez foram de luto, o que não deixa de ser irónico, uma vez que foram eles que provocaram o problema. Será o mesmo que eu matar um homem e a seguir carpir e fazer o luto por ele. Ridículo e incoerente no mínimo.
Pois bem, com uma elevada maioria de massa humana, o cortejo "alternativo" de Engenharia contabilizava com algo a rondar 500 pessoas no mínimo enquanto que a "Praxe organizada" contabilizava com umas 200, 300 pessoas no máximo. A diferença era bem visível.
O cortejo "alternativo" pautou-se pela contenção, pelas canções habituais de engenharia, e as normais provocações (respostas às acções tomadas pela "Praxe organizada"), mantendo sempre a distância do restante cortejo.
Ao início, a frente do cortejo desvalorizou isto, pensou certamente que a organização não duraria... enganou-se.
Para não ficar mal, decidiu fazer um cordão de Doutores, ao que parece para tentar dar a entender que queria a separação... Estranho, uma vez que acabou por se contradizer. Engraçado referir que o cortejo alternativo, em resposta, criou de imediato quatro cordões, demonstrando a sua "força".
Ao reparar que eram uma minoria (alguns Veteranos, Colheres, uns quantos doutores e os caloiros), os Cartolados e Fitados estiveram alheios a estas ocorrências, decidem esperar pelo cortejo alternativo para não passarem a vergonha de passarem a Tribuna em minoria. O cortejo alternativo manteve a distância, afirmando que ia passar separadamente. E assim acabou por ser.
De salientar um facto que ocorreu antes da Tribuna, ainda na rua dos Clérigos. Após uma ameaça de invasão (brincadeira provocatória bem conhecida de todos os praxistas, saliento brincadeira, uma vez que no máximo são uns encontrões) feita por uns 15 elementos do cortejo alternativo contra o cordão da "Praxe organizada", rebenta o caos. Os ânimos exaltam-se e, eis que vejo um Colher, envergando esta, agredir com ela um estudante. Resultado: abriu a cabeça ao rapaz e recolheu-se covardemente de seguida.
Fico à espera do que será feito a esse corajoso vulto da Praxe Académica.
Escusado será dizer que o acto é inqualificável, digno de caso de Polícia. Se andar ao soco o é, imagine-se levar com uma Colher de Praxe. Claro está que a polícia não viu.
O cortejo alternativo, com o esforço de muita gente para acalmar, lá manteve a postura e não ripostou.
Passou a Tribuna quando foi chamado (sim, Engenharia teve direito a duas chamadas), passando esta cantando o Hino de Engenharia em tom bem alto e em uníssono e lançando com toda a garra e pujança os gritos de Engenharia.
Um momento arrepiante e sem dúvida com muita emoção para os intervenientes, que com toda a coragem, determinação e organização foram até ao fim mantendo a postura correcta. Postura essa que a "Praxe organizada" não conseguiu manter. Infelizmente.

Bem, para finalizar faço o comentário ao sucedido em Letras. Em muito semelhante ao ocorrido em Engenharia no ano passado. Eis que, perto da tribuna, vultos decidem que os Cartolados iam ser separados (como o foram na Imposição de Insígnias), separando os que compareciam mais vezes à Praxe dos que menos compareciam. Muito me apraz dizer que TODOS os Cartolados de Letras se uniram e fizeram o ultimato de que ou passavam todos ou não passava nenhum. Passaram todos juntos, e, depois da tribuna, gritaram em uníssono "Palhaços" para os fanáticos defensores da ideia.

E bem, tenho tudo dito. Peço desculpa pelo desabafo, pelo tom mais inflamado aqui e ali, mas sou assim. Penso ter sido o mais correcto possível.

Faço apenas uma pequena ressalva para dizer que nem tudo é mau, e para não se pensar que foi uma semana degradante... Nada disso, há quem saiba estar, quem tenha espírito, quem respeite...
A esses, cambada de teimosos, continuem sendo assim.

"Só capas, só fitas, a praxe continua."

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