9 de novembro de 2011

Manus manum lavat

Há erros que teimam em ser repetidos e há quem mais teime em não os corrigir.

O caso absurdo e desnecessário do banimento, por parte do Magnum caramelo, das tunas da Portucalense de festivais de tunas e ameaça de iguais repercussões para qualquer tuna que as convidasse apenas veio contribuir para um ambiente fétido na Academia. Mais um bela "medalha" de estrume para aqueles que pouco ou nada percebem sobre a vigência de um Magnum e aqueles que, quais carneiros ordenados e desmiolados, os seguem cegamente e não questionam.

De seguida, a recorrente constatação de que há "praxistas" que entendem que rebaixamentos sexuais e considerações (mentiras e piadas sexuais de mau gosto) pessoais sobre caloiros são forma de fazer praxe. Pior que esses, que são ovelhas tresmalhadas, é a maior parte da turba que os rodeia e que, no fundo, apesar de desaprovar da lábia reles e baixa, não tem coragem de algo dizer ou fazer por medo de perder "privilégios" (o que quer que isso seja).
São casos que vão sendo recorrentes de ano a ano em faculdades mais isoladas. Já aconteceu na ESAD, e agora o último caso conhecido surge na ESAP.
Caríssimos, isso não é praxe nem nunca será. Boa praxe, isso sim, seria tratar do cabelo e das unhas desse tipo de gente.
Pior que todos esse são, claro está, os Conselhos de Veteranos respectivos, que mais não devem ser do que uma fila de estátuas de lago de jardim onde se lhes mija a água impunemente e a bel-prazer.

Outras teimosias recorrentes são os famosos julgamentos de caloiros. Não bastava aos caloiros serem caloiros, que ainda têm de ser julgados como se de doutores se tratassem.
E que decidem estes julgamentos? Ora bem, algumas pérolas fantásticas. Decidem, entre outras coisas, se os caloiros vão poder passar na Tribuna do Cortejo na Queima, se vão poder trajar (!!!) e ser doutores no ano seguinte!
Julgados deviam ser os que inventaram tais prácticas e aqueles que as continuam a seguir. Este tipo de coisas são famosas nas casas do IPP e em outras que tal. Na UP vai sendo, felizmente, residual. Nas Casas mais antigas e mais tradicionais tal, simplesmente, não se faz. Porque será?

Este tipo de prácticas, mais as teimas de fazer da praxe ao caloiro uma simulação militar assente na ordem e na disciplina com os "exercícios" com dia e hora marcada são o mais claro sinal de que as coisas cada vez mais estão entregues a gente sem jeito para a "praxe".
A gente incapaz de mobilizar, cativar e praxar caloiros de uma forma natural vê-se obrigada a refugiar nestes altos aparatos rituais e em criar medos infundados.

"Se não vierem, acontece isto!"; "Se não fizerem isto, acontece aquilo!"
Largassem eles estes subterfúgios e a verdade dura seria a de que ninguém, ou quase ninguém, de livre vontade apareceria para os ouvir "comandar" matrizes. Realmente, com tanta gente trajada com vocação militar é de admirar porque razão não quiseram ingressar no ensino militar.

São, nada mais nada menos, do que os coveiros da praxe espontânea e natural. Alheios a tradição e legalidade, eternos indigentes de espírito.

E o que se faz sobre isto?
Uma mão lava a outra.

14 comentários:

  1. Infelizmente ainda continua assim, quem tem o poder quer bem ficar com ele e sabe que pode ser derrubado facilmente, ou seja expulsa faculdades das suas actividades da "OLA" e prejudica principalmente os seus orgaos dessas mesmas faculdades como tunas.
    Quando a minha opinião a praxe, é as influencias, rabo de saias é um rabo de saias para maior parte dos "doutores", isto para os sem vida propria, depois surgem comentarios praxes sobre isso ou seja 90% da praxe é sexo, claro a má fama da praxe. Temos de voltar aos velhos tempos.
    Renovar os poderes, substituir o velho pelo novo, ou entao é muito facil quem está descontente reunir contra o magnum facil. Eles sem doutores e veteranos para mandar nao sao ninguem! Sao a cambada de idosos e individuos sem vida social, retiram prazer de armar se em grandes uma vez que na vida nao foram.
    Se quiséssemos ditadura militar voltavamos atraz no tempo, mas pensava eu estarmos evoluidos nao com pessoas de pensamentos estagnados no tempo.
    Bem mas é a minha opiniao, que posso eu fazer em relaçao a isto.... REvoltar me e escrever em blogs... acabei de o fazer.
    Saudaçoes Academicas.
    LIVIANUS

    ResponderEliminar
  2. Antes de mais gostaria de Perguntar ao Autor do Post que concretize mais sobre o que se passa concretamente na ESAD...


    LIVIANUS

    muitas vezes o mal vem mesmo do Novo que como não sabe comete atrocidades e transforma a Praxe naquilo que não é...

    Na minha opinião a "Brigada do Reumático" (refiro-me aos restauradores da Praxe no Porto) deviam durante 6 meses voltar ao activo e percorrer a Academia a ensinar o que é Praxe e o que é estar em Praxe, porque a meu ver esta geração "Morangos com Açúcar" quer transformar a Praxe em algo que ela não é nem pode vir a ser... os tais "abusos" militaristas

    ResponderEliminar
  3. Boa tarde,

    O que se passa agora na ESAD, não sei. Mas sei o que se passou há uns poucos anos atrás (2005 penso eu): praxes de cariz sexual, em que caloiras eram mandadas chupar os dedos dos caloiros, dedos estes que saíam pela braguilha dos mesmos para parecer um pénis. Uma simulação de sexo oral, portanto. Tudo a mando de um tal doutor Salazar (nome apropriado q.b.).

    O que se passou o ano passado, e denunciado este ano, foi na ESAP. Por intermédio de uma doutora que, no facebook, fez a denúncia de situações que passou como caloira e que pouca gente se importa. Entretanto a nota foi, aparentemente, apagada. Achei um acto de coragem uma doutora da praxe tomar a iniciativa, já que não a ouviam dentro de portas, de denunciar as más práticas. Terá sido pressionada a apagar, talvez.
    As tais situações denunciadas tinham que ver com praxes de cariz sexual, em que se dizia à pessoa em causa (e a outras) que andava na cama com X e com Y, que gostava de sexo porque tinha cara disso, que era uma "pi" (os termos, como é óbvio, não terão sido estes, mas mais explícitos), entre outras coisas.

    cumprimentos

    ResponderEliminar
  4. Administrador Obrigado pela informação... pensei que na ESAD era coisa recente já com a nova estrutura...

    ResponderEliminar
  5. Em relação à ESAD e aos actos de cariz sexual, basta perguntar a quem esteve na noite negra da semana de recepção ao caloiro este ano, e facilmente chegará a uma conclusão. Não consigo perceber principalmente duas coisas: como é que deixam fazer-se o que fizeram, manchando completamente o nome (já frágil) da praxe, e não percebo também como as pessoas se sujeitaram aquilo, foi realmente mau..

    ResponderEliminar
  6. Não sabendo a origem do/a 'Adminstrador', posso dizer que é bastante imparcial e não deixa nenhuma 'pista' se é da Casa x ou y. Aliás também não deixa explicito se é praxista ou não o que não o deixa de estar bastante informado e prezo que continue assim para o bem do website, que encontrei hoje e felicito pelo excelente trabalho.

    Relativamente a este post só tenho uma ou duas coisas apontar.. aliás ajudar a manter o site com mais veracidade.
    'Nas Casas mais antigas e mais tradicionais tal, simplesmente, não se faz. Porque será?'

    Considerando a FMUP, que é a mais antiga e tradicional (deixo ao critério de cada um a 'tradição'), existe um julgamento, e pior, uma 'recepção' individual de cada caloiro onde são feitas perguntas de cariz sexual entre outras e onde por ex caloiras são tratadas por pi como diria o Administrador. Juntando à festa a FEUP e Letras de posts anteriores aqui mencionados, realmente a praxe do Porto está cada vez mais bem representada com as casas mais antigas e tradicionais.

    ResponderEliminar
  7. Olá, antes de mais, agradecer os elogios e incentivos ao trabalho desenvolvido no site. São sempre boa motivação.

    Quanto à FMUP, confesso que desconhecia essas ocorrências em particular, não obstante de há um ano atrás me ter chegado aos ouvidos, por parte de alguns praxistas de lá, de que a Praxe de medicina não estaria a viver os seus melhores dias... Não especificaram as razões.
    É com muita pena que vejo a FMUP associada a esse tipo de prática que esbarra na mais elementar tradição. De facto, enquanto que ocorrências graves e anteriores relatadas que ocorreram na FEUP e na FLUP se devem, principalmente, a má conduta de um grupo de praxistas em particular numa situação concreta, neste tipo de casos (dos julgamentos a caloiros) considero preocupante por se tratar do "enraizamento" de uma má prática.

    Quanto às praxes de cariz sexual, já muito foi dito sobre o assunto, pelo que não vale a pena repetir. Pena que se continuem a verificar pela Academia.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  8. Acho curioso a crítica aberta e declarada ao que é considerada uma má pratica, falo pois dos julgamentos referidos pelo Administrador.

    Sem ter muito a acrescentar apenas não consigo deixar de achar curioso que se façam estas afirmações quando na UP em algumas casas (até já foi referido o caso da FMUP, e não é caso único) há já mais de 30 anos estes se realizam. Digo 30 porque não vou arriscar a falar de algo que desconheço.

    Os moldes dos mesmos, e aí sim entro em acordo com algumas das críticas efectuadas, são infelizmente os menos desejáveis e sim em alguns casos mais valia nem os fazer...

    Por fim e não deixando de concordar com o que foi dito no resto da mensagem não deixo de achar curioso que por vezes tanto nos preocupemos em acusar de falsos ou pretensos praxistas os "militaristas" que abundam nas Praxes deste país fora por estes levarem a cabo algumas práticas que parecem brincadeiras inofensivas se comparadas aos afamados Canelões e companhia que proliferam nas crónicas Conimbricense dos tempos em que toda esta tradição começou.

    Cumprimentos e um bom ano

    ResponderEliminar
  9. Boa noite,

    Se não for incómodo, agradecia que partilhasse em quais casas da UP se fazem julgamentos que decidem, há mais de 30 anos, que caloiros vão poder trajar, participar no cortejo e serem "doutores" no ano seguinte.

    Posso confessar desde já o meu desconhecimento do que se passará em todas as casas da UP, tal como confessei o meu desconhecimento em relação ao que aparentemente ocorre na FMUP, uma vez que não frequentei nem frequento todas as faculdades. O que sei foi o que fui e vou discutindo com antigos e actuais alunos de diversas casas. E posso afirmar com toda a certeza que tal não acontecia, pelo menos de forma tão generalizada como quer fazer parecer pelo seu comentário.

    Por isso mesmo pedia mais detalhes por forma a podermos cruzar informação para se chegar a conclusões mais nítidas.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  10. Esta corrente "militarista" é prática usual não só na Academia do Porto, mas em qualquer outra Academia ou não.

    Eu frequentei uma instituição com muito menos história (nenhuma para falar verdade) e também aí as práticas "militaristas" se vêm a enraizar... Penso que este facto acontece porque as pessoas não entendem a Praxe, ou pelo menos não a entendem como um elemento de integração dos caloiros...

    Eu entrei em 2008, fui praxada e gostei imenso. A nível pessoal ajudou-me a ultrapassar uma inaptidão social que me fez pensar duas vezes antes de participar na praxe. Acabei a ser candidata a caloira do ano pelo meu curso.
    Mas adorei porque sentia que a praxe era feita a pensar nos caloiros e na sua interacção. Houve alturas em que parecia que estava num quartel, mas isso tinha a ver com um elemento em específico que a meu ver não sabia alcançar o respeito dos caloiros e por isso gritava com eles e "castigava-os" com "pulos de galo", series e series deles sem fim à vista...

    Quando fui "doutora" (e lá praxasse com 2 matrículas - penso que seja porque os mestrados só abriram muito recentemente e a escola é pequena...) praxei mas procurei trazer para a praxe daquele ano (assim como no ano seguinte) os elementos de que eu mais gostava enquanto caloira (interacção intra e inter-cursos).
    Também tive caloiros com quem "peguei" mais, sem nunca lhes faltar ao respeito (porque também não ia admitir que me faltassem a mim!) e sempre tratando de esclarecer que não se tratava de algo pessoal ou de não gostar deste ou daquele caloiro.

    Hoje tenho 4 matrículas (comparado com a academia do Porto não é nada, mas o Carrasculum na instituição que frequentei entrou no mesmo ano que eu), sou respeitada e acarinhada pelos meus caloiros principalmente por não gritar com eles e por não os tratar como débeis mentais ou como escumalha desprezível...
    Este ano não praxei, nem estou fisicamente perto da instituição para tal, mas sei que o "trabalho" que desenvolvi nos anos anteriores foi bem feito porque me dizem que faço falta não só no meu círculo de amizades, mas sobretudo enquanto elemento praxador.


    Quanto aos julgamentos, esses também os há. Mas com um cariz completamente diferente. O Tribunal de Praxe é apenas e somente convocado pela Comissão de Praxe, a qual preside o mesmo e dita o veredicto final. Mas este Tribunal de Praxe é convocado em condições extremas, como sendo casos de violência física praticados durante a praxe, de desrespeito do Código de Praxe, faltas de respeito para com um elemento trajado (esta última parte deixo ao critério de cada um decidir o que é), entre outras coisas (estas foi as que eu vi todas no mesmo ano - nos últimos 5 anos foi convocado 1 Tribunal de Praxe). Qualquer elemento que participe na praxe, praxista ou caloiro, independentemente do número de matrículas pode enviar uma carta à Comissão de Praxe em que expõe um facto e pede ao Carrasculum que haja em conformidade. Cabe a este último decidir se haverá lugar ou não a Tribunal de Praxe, no qual todos os elementos envolvidos têm igual oportunidade para se defenderem.

    Posto isto, acho o website super interessante ! E assim fico a entender melhor certas coisas que oiço sobre a Academia do Porto...
    Continua ;) You're the man!

    ResponderEliminar
  11. Não disse que era algo generalizado, se dei isso a entender peço desculpa pelo mal entendido. Mas se procura casos concretos procure por exemplo cruzar essa informação com ex-alunos da Faculdade de Ciências (penso que seja uma casa com história mais que suficiente). Não vivi essas alturas mas tenho o prazer de conhecer gente que foi Caloira, Doutora e Veterana nos anos 80 e que já nessa altura viveu essas experiências se bem que, como já disse no post anterior, de uma forma bem diferente do que hoje vemos acontecer um pouco por toda Academia.

    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  12. A propósito dos tribunais de Praxe nos anos 80:

    fui procurador em vários e presidente de vários, mas nunca para decidir se um caloiro ia passar em frente da tribuna, se ia poder trajar no ano seguinte ou ser doutor.

    Os julgamentos que se faziam - sempre na altura da recepção ao caloiro - não passavam de brincadeiras, destinadas a mostrar aos caloiros o que podia ser um tribunal, nada mais. Claro, os réus eram sempre caloiros acusados das coisas mais estapafúrdias - dormir de pijama, chorar quando descascava cebolas, respirar, ter escrito o nome dele a lápis no manual de Matemática do 9.º ano - eu sei lá.

    Era tudo uma grande palhaçada e pretendia apenas fazer rir toda a gente, até os próprios visados, que tinham sentenças do tipo participar no próximo jantar de curso, ter de beber duas cervejas seguidas na Queima seguinte, ter de passar a atravessar as passadeiras só nas listas brancas, passar a mexer o açúcar no café no sentido anti-horário nos anos bissextos...

    Isto era em Letras.

    Hoje parece que já não é assim.

    Abraço,

    Eduardo

    ResponderEliminar
  13. Caro Eduardo, são precisamente esse tipo de julgamentos a que me refiro, também realizados no início do ano (até porque por cá a Praxe como gozo ao caloiro, semanal ou diária, terminava por volta de Novembro.

    Hoje em dia faz-se algo muito diferente, e no fundo um pouco fora do contexto. Há uma preocupação exagerada em "eliminar" aqueles que não cumpriram religiosamente o calendário de Praxe procurando-se no fundo estratificar os novos alunos. Uma pena...

    Hoje as brincadeiras são levadas demasiado a sério, se bem que, para mim às vezes um berro ou um "discurso" mais assertivo, desde que dentro do contexto certo, contribuem para uma praxe sadia, caso contrário a tendência é a instalação da anarquia.


    Cumprimentos

    ResponderEliminar
  14. Como antigo estudante da FEUP ('05-'08) e actual estudante da ESEP, apenas posso reiterar e sublinhar tudo o que foi dito neste post. É-me triste assistir diariamente à tentativa ignorante de tratar caloiros e doutores numa espécie de regime militarista (que de militar, nada tem, por sinal.) e chamar a isso Praxe.

    Tenho pena de não ter continuado a minha vida praxística, desde que ingressei nesta nova faculdade, mas como posso eu continuá-la, se em 2 anos ainda não vi nada que se parecesse com praxe? Noites Negras em que caloiras acabam a noite de soutien e cuecas? Caloiros obrigados a faltar a teóricas (e não só!) porque os sapientíssimos doutores "[estão-se] a cagar p'rás tuas teóricas!" Pessoas que dali a 1 mês vão ser Enfermeiros certificados pelo Estado? Que competência tem alguém que obriga pessoas a estes comportamentos de ser um Enfermeiro? Vergonha!

    Chega a ser patético esta tentativa de se mostrarem militares, até porque dos 3 anos que estive no Exército Português, não vi lá nenhum dos doutores ou veteranos da minha faculdade.. Curioso.

    Peço, encarecidamente, à casa madrinha desta gente - grandiosa FEUP - que lhe mostre o que é Praxe e o que ela trata. Dura Praxis Sed Praxis. (A Praxe é dura mas é Praxe, como por lá dizem..)

    Termino, certo que não é em blogues que estas coisas se mudam, mas não me compete a mim, também, fazê-lo.

    Peço desculpa ao OP se me desviei muito do assunto inicial.

    António Batista.

    ResponderEliminar