14 de maio de 2012

Três simples questões

Caros praxistas portuenses,

Depois de mais uma Queima das Fitas, na sua essência, ainda repleta de sorrisos fraternos e sinceros adornados das mais variadas cores, de momentos e pessoas que, mesmo que em pequenos gestos efémeros, inscrevem as linhas do que é a boa praxe, a praxe saudável e, essa sim - porque do foro mais profundo e íntimo de cada pessoa - inatacável, surgem sempre as cada vez mais inevitáveis manchas numa semana que deveria ficar restrita ao que nas primeiras linhas se descreveu...

Eis que, então, se deixam aqui três questões pertinentes:

1) Consideram que não fazer silêncio numa serenata, não saber usar o traje correctamente ou desrespeitar a tradição do uso das insígnias pessoais, não saber definir o que é um caloiro ou um pastrano e inventar novas condições para os mesmos, e toda uma lista extensa de situações que configuram um não Saber Estar em Praxe, é menos importante - passível de ser ignorado até - do que brincadeiras de "jogos" de pseudo-poder entre membros do MCV, cujo último e degradante expoente foi encenado na Monumental Serenata, com a proibição de actuar do Grupo de Fados do Orfeão Universitário do Porto e agressão não provocada a um elemento do mesmo?

2) Consideram que pessoas não matriculadas no Ensino Superior ou pessoas matriculadas ano após ano, sem progressão académica, com o único propósito de manter uma determinada posição hierárquica na praxe, são, de facto, estudantes na verdadeira acepção da palavra como a maioria esmagadora dos estudantes é e foi, ou Veteranos como durante décadas e séculos se foi veterano, devem comandar, mandar e desmandar os destinos da Praxe da nobilíssima Academia do Porto?

3) Se consideram que não, então o que se vai fazer acerca disto?


Por estes lados, já tudo foi dito aqui também. E aqui.
É "chover no molhado", sabe-se, mas há sempre alguma terra que precisa disso mesmo.

9 comentários:

  1. 1) e abrir a Serenata depois das 0:30?

    2) e nos últimos 20 anos ter estado matriculado apenas... em 2... o actual e outro? Pelo meio há 18 anos de ilegalidade. Ah!, pois, há as "matrículas académicas"... que me fizeram lembrar um debate no fórum "praxeporto" sobre inscrições e matrículas... Mais uma vez se confirma: "O exemplo vem de cima". E do mais alto que pode haver.

    3) Como dizia um poeta: "Caminero, no hay camino/ Se hace el camino al andar."

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  2. http://notasemelodias.blogspot.pt/2012/05/notas-ao-magnum-e-serenata-do-porto.html?showComment=1337075359763

    Vale a pena, depois, ver os comentários, nomeadamente a pérola do 2º anónimo.


    Abraço

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  3. Após ter indagado das razões do desacerto do MCV com o GRUPO DE fados do Orfeão Universitário, acabei por saber que a situação não é inédita.
    Já aconteceu o mesmo com o Grupo de Fados da Católica e com a Tuna da Portucalense, que, para os mais atentos, deixaram de poder participar em eventos académicos.
    Pelos vistos, o Magnum pretende agora deitar mão da praxe em todos os grupos académicos, esquecendo que, nos grupos musicais, a tradição académica foi sempre diferente da praxe que esses senhores exerceram – e ao que se vê, para bem melhor!
    Aprofundando a questão acabei por saber, através de um Dux do Magnum, que o Grupo de Fados da Católica escreveu uma carta que entregou ao dito magnum, há cerca de dois anos, que achei hilariante e subscrevo na íntegra.
    Junto-a, em anexo, para quem a quiser ler e dar uma valentes risadas.
    Pelos vistos, a questão teve os seguintes contornos:
    O conselho de veteranos de Direito da Católica quis, por diversas vezes, interferir com os ensaios do Grupo de Fados, tentando praxar um caloiro do grupo de fados, simultaneamente caloiro da faculdade, durante os ensaios daquele grupo.
    Como os elementos do grupo de fados não deixaram o conselho de veteranos praxar o caloiro em questão, durante os ensaios, o mesmo conselho declarou o grupo de fados persona non grata, sem precedência de qualquer julgamento ou, por qualquer forma, exercício de contraditório.
    Foi publicado na universidade católica um decreto do conselho de veteranos em questão, com aquela declaração e, em acréscimo, foi proibido aos estudantes de Direito da UCP mencionarem o nome do grupo de fados (é caso para dizer, the ones who’s name can not be told...).
    Tendo o grupo de fados em questão tomado conhecimento do decreto, pediu uma reunião com o magnum, onde expôs o caso, tendo sido decidido pelo mesmo magnum que a declaração feita pelo conselho de veteranos de direito da universidade católica não tinha qualquer validade e que devia a situação ser rectificada de imediato, pelo dito conselho.
    Pelos vistos, os miúdos do dito grupo de fados, em resposta e perante o magnum, nessa mesma reunião, interpelaram o então Dux de Direito da católica (um tal de Caveira), dizendo-lhe que era um “menino”, que não tinha palavra e que queriam saber quando publicaria um decreto a limpar o nome do grupo de fados (ah, valentes!).
    Passado algum tempo, para espanto de todos, o magnum fez publicar um decreto na católica, mediante o qual declarou que, na universidade católica, que tem vários conselhos de veteranos, correspondentes aos vários cursos, todos com assento no magnum, o conselho que desempataria as decisões sobre os grupos da universidade católica seria o mais antigo, querendo com isso atribuir ao conselho de veteranos de Direito um poder supremo sobre os outros conselhos e sobre os grupos académicos, incluindo Tunas e Grupo de Fados.
    Ao que me foi explicado pelo dito Dux, o grupo de fados em questão, indignado com esta atitude que, além do mais, não correspondia ao que foi proferido na própria reunião do magnum, escreveu e enviou a carta que supra referi ao magnum, numa noite em que foram convocados pelo mesmo, para estarem presentes nos Leões. Não compareceram em mandaram entregar a tal carta.
    Além disso, explicou-me o dito Dux, que o nome do tal grupo de fados continua a não poder ser proferido pelos alunos de direito da universidade católica (hummmm....).
    Assim, parece-me que esta recente atitude para com o Orfeão faz parte de um plano maior do magnum que tenta, por todas as formas, mudar tradições estudantis mais antigas que o próprio magnum.
    Não esqueçam, meus amigos, que eles só mandam se tiverem em quem mandar...
    Um abraço académico a todos os verdadeiros estudantes!

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  4. Carta do grupo e fados da Católica ao MCV:
    "Exmos. Srs.
    Venerandos Duches Veteranorum Bichanorum
    Caríssimos Duxinus do “Magnum bichorum Veteranorum”
    “Ó mui ilustres e doutos senhores que tanto avistais!
    Se a merda gerasse cobiça, quanto o mundo vos idolatraria!”
    Assunto: Justificação de falta.
    Os n/ cumprimentos
    A propósito do vosso mais recente e generoso convite de atendermos, em calendas anteriores, a gentil tertúlia de vossa autoria, vimos lamentavelmente informar estarmos, de todo, impedidos de o fazer em virtude de infelizes e inadiáveis “merdas para fazer”, a que teremos necessariamente de atender.
    Com idêntica desilusão, cabe-nos, ainda, informar tal impedimento para todos os convites ulteriores que nos queiram endereçar:
    Sempre agradecidos, no entanto, pela atenção demonstrada, fazemos fé ser a presente justificação bastante para a(s) ausência(s) comunicada(s).
    Assim não se entendendo, recordamos que, nos termos de vosso decreto anterior, pela mesma deverá única e exclusivamente responder o “CV mais antigo” da nossa ilustre casa, o qual desde já oferecemos – com brevíssima humildade e temor reverencial – ao necessário “afiar capilar”. Dura praxis, sed praxis! (tradução: estas é que doem!)
    Por um breve instante ponderamos, ainda, fazer-lhes portador deste instrumento um dos nosos caloiros no activo. Todavia, reparando que “v/excremências, hierarquicamente na praxe, ocupam um qualquer lugar entre os bichos e os calorios”, logo concluímos, unânimemente, como de atroz crueldade e absoluto desprestígio força-lo a deslocar-se ao v/encontro. Por essa razão, o decidimos antes fazer por email, evitando-lhe, assim, tamanhas e medonhas moléstias.
    A ocasião é-nos igualmente propícia para manifestarmos a V/Excremências o agrado e entusiasmo com que os vimos observando a finalmente cumprirem com o destino que há muito vos é cometido: o de que “o magnum é uma merda”.
    Por fim, para além destes singelos considerandos, resta-nos informar a recente aprovação, em concílium fadistorum” do novo regulamento de propinas e actuações do grupo de fados e guitarradas da Universidade Católica Portuguesa, do qual tomamos a liberdade de lhes transcrever o seguinte:
    - “Em todas as actuações em que for devido o grupo de fados e guitarradas da Universidade Católica Portuguesa participar e que sejam da iniciativa, responsabilidade ou comparticipação do “Magnum”, será devido o pagamento de propina correspondente ao rapanço de um dos membros daquela “desorganização”, a escolher livremente pelos fadistas segundo o critério que bem houverem por conveniente”
    - “Por cada prego que seja prestado na actuação em apreço, acrescerá, ainda, igual número de duxes a rapar.”
    - “Para efeitos do cumprimento dos números anteriores, os senhores fadistas deverão observar com providêncial rigor a máxima de que “católico que se preze tem que pregar”.
    Para consulta integral do diploma, seus considerandos e votos de vencido - que foram nenhuns - queiram aceder a “www.omagnuméumamerda.pt”.
    Não se revendo, por isso, o GFGUCP na praxe de v/excremências, difere-se para momento ulterior as notícias daqueles a quem confiamos a v/substituição e que, para o efeito, agradecemos sejam v/excemências portadores dos “dois dedos de altura” tradicionais.
    Sendo o que nos cumpre referir a “v/excremências”
    Cordialmente,
    O Grupo de Fados e Guitarradas da Universidade Católica Portuguesa Membrus Primeirus Fundatoris “Praxis Nostrae”."

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  5. AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH!!!!!!!!!!!!!!!!

    Na "mouche"! Que nunca as mãos lhes doam, que nunca as unhas se lhes partam e nunca deixem de meter pregos... no caixão dos tais... "de cuyo nombre no quiero acordarme", como lá diz o Cervantes.

    Cumprimentos,

    Eduardo

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  6. Muito bom.
    Começou assim assim, seguiu em crescendo e acabou em grande.

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