23 de novembro de 2012

Fecha-se uma porta, abre-se uma janela.

As notícias que chegaram da FEUP, onde se encontrava uma Convocatis para julgamento do Magister da Tuna de Engenharia da Universidade do Porto (TEUP), foram profundamente preocupantes por diversos aspectos que aqui se enunciarão. 

Convirá, no entanto, situar o problema:

- O Magnum Consillium Veteranorum (MCV) está em modo abertamente hostil ao Orfeão Universitário do Porto (OUP);

- A TEUP, conforme já tinha agendado antes de qualquer decreto, participou no FITU organizado pela Tuna Universitária do Porto e igualmente a recebeu no PortusCalle;


Enquadre-se isto com a falta (depois de confirmação anterior), apenas avisada no próprio dia, do Grupo de Fados de Engenharia na Serenata do Caloiro organizada pelo Grupo de Fado Académico da Universidade do Porto - OUP, e justificada pela requisição urgente para se tocar na FEUP, e conseguir-se-á compreender facilmente uma relação de causa e de efeito.

O Praxe - Porto não pretende ser um fórum de polémica e de agitação. O que sempre se pretendeu - quer na vertente do site, do fórum ou da página facebook - foi debater assuntos que digam respeito à praxe e, sem compromissos, defender as boas tradições e bom senso. Seja isso melindroso a alguns, ou não.

A Convocatis afixada na FEUP é, então, preocupante porque:


1) Ao convocar um estudante pelo seu nome de tuno, e por decisões tomadas enquanto Magister de uma tuna, vem confirmar que existe uma percepção errada de que os Conselhos de Veteranos controlam as tunas e julgam as suas decisões;

2) Ao convocar um Magister por discordância sobre a gestão de agenda de uma tuna, abre um precedente perigoso: 
- passa um CV a ter palavra final sobre quem a tuna aceita como tunos?
- passa um CV a ter palavra final sobre o repertório da tuna?
- passa um CV, de fora da tuna (que tem a sua hierarquia interna própria), a pesar mais dentro da tuna do que o Magister da mesma?

3) Ao convocar um estudante que estará presentemente inscrito noutra instituição de ensino superior, o Conselho de Veteranos da FEUP incorre em duplo erro: à praxe da FEUP dizem respeito apenas os estudantes praxistas da FEUP.


Por tudo isto, é bastante claro que:

a) Não tem este CV a legitimidade de convocar quem convocou;
b) Não tem o convocado qualquer obrigação, pela praxe, em comparecer ao julgamento.


A TEUP, entretanto, já fez emitir um comunicado oficial.

Nele, fica claramente plasmado aquilo que há algum tempo tem sido bastante claro de observar: que existe uma clara tentativa de controlo e coação sobre grupos académicos - por uma ou outra razão - por parte de Conselhos de Veteranos.

Atente-se na seguinte passagem do comunicado:
Esta necessidade de clarificação vem no seguimento de uma tentativa, por parte de representantes do Conselho de Veteranos de Engenharia, de prejudicar as boas relações que este tinha com a TEUP ao atentar contra os seus princípios, tentando punir a mesma pela participação em determinados eventos de importância para o seu funcionamento e desenvolvimento.
Qualquer pessoa minimamente informada na Academia já sabia as razões por trás dos atritos entre conselhos de veteranos e grupos académicos. Podendo todos eles variar ligeiramente na forma e nos intervenientes, o conteúdo resumido era muito simples de compreender: subordinação de uns a outros. 
O bom senso e a experiência de alguns anos já permitiam prever o caminho que os eventos iriam tomar, e que muito dificilmente a avalanche pararia na Rua dos Bragas. 

De qualquer forma, fica desta forma então oficialmente identificada a razão (já de todos conhecida) da tentativa de punição da TEUP: a participação em eventos do Orfeão e o convite à TUP, em suposta desobediência com o que seria desejado pelo MCV a esse respeito.

Que a postura da TEUP possa servir de exemplo a qualquer outra tuna ou grupo académico que tenha passado, esteja a passar ou venha a passar por situação semelhante.

Não se trata de qualquer apologia da desordem, da agitação e do desrespeito. 
Muito pelo contrário. 
É com cada um a colocar-se "nos seus tamancos" e a exigir respeito e correcção quando as linhas são pisadas que pode existir um clima de saudável convivência. 

Um clima onde uns controlam, mandam e desmandam em tudo e todos, não é de convivência. 
É de subserviência e sobrevivência. 

Um clima onde as relações são pautadas por punições e perseguições, não é de respeito.
É de cautela e medo.

Nenhuma Academia sobrevive num clima de portas fechadas.
Mas a ser verdade o ditado, pois então... 
Abram-se as janelas!


"Só capas, só fitas, a praxe continua!"