26 de abril de 2013

"Licenças Sabáticas"?!


Corre por alguns cantos da Academia o conceito de "Licença Sabática" aplicado ao contexto de praxe académica.

Neste contexto, aparentemente, Conselhos de Veteranos decidem decretar sob "Licença Sabática" estudantes cuja "prestação praxística" não seja do seu agrado. Uma vez decretados a esse "estatuto", os estudantes ver-se-ão supostamente impossibilitados de frequentar eventos de tradição académica, sejam eles os rituais de gozo ao caloiro, imposições de insígnias ou cortejos.

Importa portanto deixar aqui claro que este conceito é totalmente alienígena à tradição académica.
Note-se que, para começar, no "mundo real" a licença sabática é normalmente um direito reservado a docentes que dela necessitem sendo que é o docente que REQUER uma licença sabática, não é esta que lhe é decretada!

No entanto, não é só no próprio entendimento do que é a licença sabática que claudicam aqueles que promovem esta prática. Claudicam, acima de tudo, no entendimento tradicional que se faz de sanções na praxe académica. No contexto de infracções e atropelos na praxe académica, as sanções normais de aplicar, quer em contexto de trupe ou de tribunal, são de Unhas ou Colheradas, ou Rapanço. O infractor é abordado, a sanção é decidida, o infractor é sancionado e... fim do assunto. Uma sanção sob a forma de "licença sabática" decretada é, ela própria, um atropelo de normas da praxe. Senão veja-se:

- Se um estudante se vê decretado sob "licença sabática" e consequentemente vedado de impor insígnias pessoais durante um ano ou mais, caso a "licença" seja levantada no ano seguinte, deve o estudante impor duas insígnias (a que ficou em falta e a actual) no mesmo acto? Deve saltar uma insígnia à frente?

- Se um estudante de determinada hierarquia na praxe vê os direitos reservados à hierarquia que ocupa retirados por um conselho de veteranos, deixa ele então de estar inserido nesse grau hierárquico e sujeito às suas condições? Passa a estar num outro grau? E se sim, qual? 

Qual é o grau hierárquico a que corresponde a supressão de todo e qualquer direito em participar nos preceitos da tradição académica? Anti-Praxe? 
Na praxe, ou se está ou não se está. Não há limbos, não há purgatórios.

Aqueles que querem estar, têm todo o direito de estar em toda e qualquer manifestação tradicional. Os que não querem, não estão. Nem precisam que se declare que não podem estar.

Se houver quem queira estar e que tenha incorrido em infracção, lida-se e corrige-se a situação com bom senso e de forma tradicionalmente adequada. A pedagogia e a informalidade na correcção de infracções deve preceder a aplicação de sanções, desde logo quando as infracções não são graves e obedecem a critérios perfeitamente aleatórios! 

Mas caso seja necessário aplicar sanção, aplique-se as que a praxe prevê e não regimes inventados que apenas a abandalham. 

Neste caso, parece claro a ser necessária alguma licença sabática, esta deveria ser requerida à mais alta instância praxística da Academia pelos doutores que engendraram esta ideia. Quem sabe se um período de descanso e reflexão não seria benéfico para se investigar um pouco sobre praxe académica.


"Só capas, só fitas, a praxe continua!"

0 comentários:

Enviar um comentário