11 de abril de 2013

Os rasgões e a capa

PedroC

Há certas coisas na praxe que me arrepiam os cabelos. 

Pessoas que dão dobras na capa mais compridas, para que ela fique mais curta e portanto pareçam ter mais “experiência” é uma delas. Talvez por isso (porque a lógica é a mesma) me arrepie ver pessoas com capas-farrapos. 
Parece que hoje, tal como o traje encardido que já foi referido neste site, se acredita que um praxista com mais e maiores rasgões é mais praxista que os outros. Assim se destrói uma das mais belas tradições da praxe. 

É claro que, tratando-se da capa, cada qual é livre de fazer o que bem lhe aprouver, inclusive transformá-la num cachecol. No entanto, devemos deter-nos um pouco para pensar em toda simbologia do acto e aquilo que ele encerra. 

Dar a capa a rasgar a alguém deve ser algo de solene. Deve marcar um momento e alguém com grande significado (para mim praxístico, mas admito que não para todos). Assim, ver pessoas de duas matriculas com 20 rasgões na capa é algo que me provoca dôr de alma. 
Acredito piamente que todas as 20 pessoas possam ter um significado, mas daí a acreditar que cada uma delas seja especial (que o deve ser, para rasgar uma capa) vai uma distância muito grande. 

Que cada qual faça na sua capa os rasgões que entender, do tamanho que os entender, porque assim é seu direito. Mas que o faça sabendo o ridículo em que incorre, e quanto maltrata uma tradição. 
Fazer um rasgão na capa é fácil, cosê-lo, nem tanto...

Só trapos, só fitas, a praxe continua?

"Só capas, só fitas, a praxe continua!"

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