11 de maio de 2014

Segregações em Cortejos

No Cortejo, algumas Faculdades continuam a insistir em práticas anti-académicas de separação de colegas com base em critérios vagos e relativos de "presenças" em "praxes".
Tudo, supostamente, em nome da tradição.

A todos aqueles que promovem ou alinham neste comportamento pidesco convirá, primeiro, estudar um pouco o que é a tradição do cortejo académico.  
As anteriores gerações, desde os anos 40 até aos anos 2000, foram anti-académicas ou anti-praxísticas nas suas práticas de cortejo? 
Todas as faculdades que actualmente não encetam práticas de separação de colegas no cortejo (felizmente são bastantes) são compostas por gente "anti-académica" e "anti-praxe"?
Em que direito ou preceito tradicional se apoiam para defenderem que estas práticas são tradição académica ou visam defender a mesma? 
Defende-se a Lei quebrando-a?

Diz-se muitas vezes que praxe fomenta união, fraternidade e humildade. Se esses três vectores estão sujeitos a asteriscos e excepções, se estão reservados a uma suposta elite, então, são vazios e hipócritas.

Que união é união quando se pratica exclusão?
Que fraternidade existe quando se estabelece um regime de "castigo" e perseguição entre colegas?
Que tipo de humildade é aquela que assenta no pressuposto de sermos mais "dignos"/"superiores"/"merecedores" que o próximo?

Reflectir nisto também é ser-se Académico.
Nenhum Academismo sobrevive em clima acéfalo e seguidista que se perpetue na base do medo de exclusão ou perseguição.
Isso é praxis de regime totalitário.

Já que tanto se fala e celebra os 40 anos do 25 de Abril, recomenda a mais básica coerência que antes de se vociferar "Liberdade" e espírito fraterno, haja efectiva preocupação na sua prática e defesa.

2 comentários:

  1. Eu que frequentei a Universidade e que enverguei, com alegria e orgulho q.b,. a capa e batina fui e sou contra quaisquer práticas de segregação entre colegas. Deve sempre prevalecer o companheirismo e o espírito de fraternidade e apoio entre estudantes.
    Reflexões de um antigo estudante da Universidade de Coimbra que usou assiduamente capa e batina entre 1981 e 1986.

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  2. Envio a todos os estudantes da Universidade do Porto sem exclusão, que são o tema deste blog as minhas saudações académicas.

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