20 de janeiro de 2014

Sobre a tragédia no Meco

A recente tragédia ocorrida na Praia do Meco que envolveu estudantes de Lisboa membros de uma "comissão de praxe" que se encontravam trajados tem associado mais uma vez o nome da Praxe Académica a práticas que, por razões de ordem e precedente tradicional, não se incluem na mesma e que, por consequência, não a podem nem devem definir.

Não obstante, seria de tremenda hipocrisia não fazer notar que estas confusões são resultado de uma mentalidade pouco culta e informada sobre Tradições Académicas que, longe de ser monopólio dos media ou público geral, é também partilhada por muitos que se vêm a eles próprios como estando na Praxe.

Tal situação germina sobretudo num acefalismo - induzido e generalizado - que considera que o fenómeno da Praxe não carece de reflexão e estudo sério que sustente a pertinência do seu tradicionalismo. Postula que esta só se vive como é, que esta é como está, que está como tem que ser, que manda quem pode e obedece quem deve.

Este statu quo faz por vingar a existência de "praxes" em oposto de uma Praxe Académica, sendo que tal fenómeno é não apenas visível num panorama nacional mas também local, onde em cada Academia ou Instituição coexistem práticas, regras e ditames diametralmente opostos e incompatíveis entre si mas todos sob albergue da palavra "praxe".

Desta contínua libertinagem de apodar tudo e qualquer coisa de "praxe" tem resultado uma descaracterização a tal ponto deste fenómeno antigo que hoje em dia, se alguns ainda o vivem em mínima coerência, muito poucos o conseguem sequer definir ou explicar. 

Por tudo isto continua a ser imperioso lutar pelo esclarecimento do que é verdadeiramente Praxe Académica. No mínimo, pelo menos, lutar por esclarecer o que ela não é.

Procurar informação e história, perceber regras, questionar práticas e vivê-las em coerência.

Só assim se terá uma Praxe verdadeiramente Académica.
Só assim esta se poderá defender e justificar.

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