LITERATURA

De seguida deixa-se uma lista de recomendações de leitura relacionada com a tradição académica, onde o relato de experiências de antigos estudantes se apresenta como estilo principal de escrita e permite uma melhor compreensão enquadrada das práticas e tradições.

// PALITO MÉTRICO (1746)
António Duarte Serrão

Um livro obrigatório para gerações de estudantes universitários, que viu a sua primeira edição em 1746 e a sua última edição nos anos 40 do século XX.

Não devem ser poucos os que tropeçam nesta designação, mas não sabem do que se trata. Grosso modo, aqui fica uma breve síntese do que é: "Palito Métrico" é uma colectânea de poemas, cartas e recomendações escritas em latim macarrônico, assinado por Antonio Duarte Ferrão, pseudónimo atribuído a um presbítero secular, o padre João da Silva Rebello (1710-1790), doutor em Teologia ou Cânones pela Universidade de Coimbra. O autor dessa obra de referência para a comunidade académica, nasceu em 1710 no Sortam, lugar da freguesia do Vimeiro, concelho de Alcobaça.Publicado pela primeira vez em 1746, o "Palito Métrico"teve inúmeras edições e funcionou durante largas décadas como breviário das praxes académicas de Coimbra. O título, aliás, baseia-se numa praxe antiga que obrigava os caloiros a medirem determinada distância com um palito…É, assim, o antecessor do Código da Praxe de Coimbra. O "Palito Métrico" está inserido numa obra mais vasta denominada "Macarronea Latino-Portugueza" que, além do "Palito", contém outras obras de diversos autores, todas escritas em latim macarrónico - umas em prosa, outras em verso.

Outras notas ao Palito Métrico, no blogue "Penedo da Saudade" [LINK] 



// IN ILLO TEMPORE (1902)
Trindade Coelho

In Illo Tempore, livro de memórias de Trindade Coelho publicado em 1902.
Um retrato privilegiado do ambiente boémio e das figuras da Universidade de Coimbra do tempo.

Hoje, que a praxe está sob suspeita - aliás justamente, em grande medida - e um certo humor estudantil, desrespeitoso e transgressor, se tornou inaceitável, Coimbra perdeu o encanto: refiro-me à Coimbra dos estudantes de capa e batina, da cabra, das serenatas e dos namoros, das guerras aos futricas, das arruadas, da poesia sarcástica e do fado coimbrão. À Coimbra das repúblicas, do desprezo pelos caloiros, dos jornais estudantis e de monumentais assembleias de alunos. Dos copos e das noitadas.
In Illo Tempore é, portanto, no nosso tempo e cada vez mais, um livro politicamente incorrecto. Todavia, em capítulos curtos e autónomos, cada um dos quais conta um episódio, ou uma anedota coimbrã do seu tempo de estudante, Trindade Coelho apresenta-nos personagens pitorescas, cheias de malícia, raramente malvadas, com um sentido de humor e um espírito da brincadeira, que, simultaneamente, testemunham o modo irreverente de ser, típicos de uma época e de um lugar.
Há passagens notáveis de inocência e malandrice: por exemplo, a propósito daqueles rapazes que viviam em comunidade, a quem uma vizinha velha enviou uma taça de marmelada, que agradeceram num poema escrito a várias mãos; ou do modo como os estudantes usavam o carnaval para organizar desfiles de escárnio e crítica. Mas, o principal do humor que se derrama por essas páginas, diz respeito à palavra: a réplica rápida e mordaz, o trocadilho bem conseguido, a frase dúbia e mortífera, as alcunhas certeiríssimas.
É toda uma cultura que hoje não seremos, talvez, capazes de compreender. Uma cultura, ao mesmo tempo, da brevidade: jovens que estavam de passagem por Coimbra (mesmo, como acontecia a muitos, quando demoravam demasiado tempo a concluir o curso) e, durante essa passagem, quase no sentido iniciático, se deixavam enredar mais facilmente pela alegria das noitadas, do que pela obrigação do estudo; muito mais pelo desrespeito relativamente à autoridade, do que pelo exemplo vindo de cima. Há, nessa Coimbra de outro tempo, a intuição clara de que se estão a gastar os últimos cartuchos: dali a poucos anos serão, todos eles, senhores casados e respeitáveis. Serão advogados ou engenheiros, no comboio da rotina.
É divertido? Creio que sim. Mas de uma diversão que transporta em si um elemento de nostalgia e despedida. A juventude é destravada porque é breve. Coimbra, que pertencia aos jovens, era necessariamente destravada - e breve. 



// O LIVRO DO DOUTOR ASSIS (1905)
Alberto Costa (Pad'Zé)

Em 1905, o ex-estudante de Direito de Coimbra Alberto Costa, alcunhado pelos colegas, e entre eles o poeta Afonso Lopes Vieira, seu íntimo, de Pad Zé (Padre Zé), por haver frequentado o seminário, decidiu publicar as suas memórias de boémio incorrigível na cidade doutora, acrescentando-lhe algumas páginas sobre os despautérios (na grande maioria, inventados) do catedrático António de Assis Teixeira de Magalhães, regente das cadeiras de Direito Civil, Direito Eclesiástico e Finanças, que fora seu professor. Daí, o título da obra O livro do Doutor Assis, que obteve, quer em Coimbra, quer no resto do país, um êxito estrondoso, passando a ser uma referência na vida estudantil coimbrã dos finais do século XIX. O autor, nascido enm 1877, na Aldeia de Joane, cerca do Fundão, era uma personalidade irrequieta, de grande viveza de espírito, transbordante de humor, encabeçando, por direito próprio, a chamada Geração do Centenário da Sebenta (para o qual Afonso Lopes Vieira escreveu um delicioso e irreverente Auto), geração que deu brado em Coimbra. O livro do Doutor Assis é de uma graça esfusiante, onde se relatam "pensamentos, conceitos, anedotas, facécias, larachas, chalaças, agudezas, subtilezas, ditos de espírito, calembourgs e charadas" atribuídos ao mestre de Direito.


// MEMÓRIAS DO MATA-CAROCHAS (1906)
Antão de Vasconcelos

No seu livro, neste caso, a edição de 1906, Antão de Vasconcelos conta-nos os episódios da sua vivência Coimbrã. Os aspectos interessantes deste livro levam-nos a saber o porquê do epíteto “Mata Carochas”, além disso, o interessante deste livro é que Antão de Vasconcelos aborda nomes que passaram na Coimbra do seu tempo: o poeta João de Deus, Antero de Quental, ou fala na Sociedade do Raio. Descreve a academia e a boémia daquela época: desde as troças aos tipos célebres da academia, não esquecendo a terrível praxe do canelão (ele conseguiu escapar e conta como), dos “cães” que os estudantes pregavam e dos tipos célebres, no qual se destaca o Paulino Soares, a quem os estudantes pregaram dois “cães” (no livro, porque na realidade devem ter sido muito mais!). Um costume da sua época que refere são os “Gaticidas”, que apanhavam gatos para comer (no livro ensina as tácticas para apanhar os gatos). Também não se esqueceu de um mini-vocabulário da linguagem académica do seu tempo.Embora demonstre algum exagero em algumas situações que descreve (exemplo do número de invasores da Sala dos Capelos), é uma obra de referência no historial da academia de Coimbra a que se aconselha a leitura. Quem estiver interessado na compra ainda poderá encontrar à venda nos alfarrabistas.Nota: Existe um exemplar da obra (edição de 1956) no Instituto de História e Teoria das Ideias da Faculdade de Letras de Coimbra com a cota: 2f-3-38 para quem estiver interessado na leitura.Também existe noutros locais onde pode ser consultada (dados retirados da pesquisa no site da Biblioteca Nacional em: www.bn.pt ):- Na Biblioteca Pública Municipal do Porto com a cota: M-477- Na Biblioteca Nacional com as cotas: L.11571 e L.11572- Na Universidade Católica João Paulo II com a cota: 869 VAS/A MEM 



// LEIS EXTRAVAGANTES DA ACADEMIA DE COIMBRA OU CÓDIGO DAS MUITAS PARTIDAS (1916)
Barbosa de Carvalho

(...mais informação em breve)



// COIMBRA DE CAPA E BATINA (1946)
Carminé Nobre


// BOÉMIA COIMBRÃ (DOS ANOS QUARENTA) (1975)
A. Nicolau da Costa

Livro editado em 1975 referente a memórias de Coimbra dos anos 40 do séc.XX.

Boémia Coimbrã (dos anos quarenta)” da autoria de A. Nicolau da Costa, um estudante de Medicina da década de quarenta do Século Passado. Na obra, editada pela “Athena”, o autor leva-nos à Coimbra dos anos quarenta. Mais uma vez, não poderia deixar de aparecer o grande boémio que foi o Pika, a Praxe, os mestres na Universidade, um capítulo mais importante intitulado “a polícia e nós”, em que relata situações entre os estudantes com a polícia e muitas mais coisas que, para saber, terá de ler a obra! A obra já não fácil de adquirir, mas existe em várias bibliotecas, entre as quais:->Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, com a cota: 6-16-15-73->Biblioteca Nacional, com a cota: L. 43350 V.->Biblioteca Municipal de S. João da Madeira com a Cota: B-1229-8->Biblioteca Pública Regional da Madeira com a Cota: 02/1564 SA